quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

por amor às causas perdias*

Até então, eu só possuía o superficial conhecimento do Manual de Guerrilha, o qual eu ainda nem havia terminado de ler... Mas, com o Batismo de Sangue foi diferente: em 15 dias eu desconstruí e reassimilei tudo o que sabia (ou pensava que sabia) a respeito da história do Brasil na época da Ditadura Militar.

"A resistência humana tem limites nem sempre conhecidos. Ao encarnar em sua vida os ideais pelos quais lutava, Marighella conseguiu que o limite de sua resistência chegasse à fronteira em que a morte recebe o sacrifício como dom".

Em diversas passagens do livro de Frei Betto, era impossível não lembrar de algumas frases contidas no Manual de Guerrilha: "o guerrilheiro urbano defende uma causa justa, que é a causa do povo". E eu me paro pensando, refletindo sobre minhas próprias causas - perdidas ou não - quase sempre egoístas, pífias e efêmeras. Daí, para tentar aliviar essa sensação de egocentrismo eu explico para mim mesma "aqueles eram outros tempos"... mas aqui dentro, eu sei que essa desculpa não cola. E quando eu terminei de ler o Batismo de sangue, me dei conta de que o Frei Betto talvez pudesse estar correto ao colocar que "É mais fácil ser solidário às causas que às pessoas". Pra mim, há um paradoxo entre o que sinto e sou e o que eu li e aprendi, pois eu sempre defendi o ser humano e a sua humanidade, mas como ser humana diante de tantas atrocidades, tantas injustiças e tanta exploração - que até hoje atormenta o povo brasileiro? tenho total convicção de que há alguma coisa de errado com os meus ideais!

"No teatro, o último ato é o mais importante e o único no qual os espectadores são além da peça, os verdadeiros atores: o momento da saída, quando o reencontro com a realidade lá fora dá-se na visão crítica proporcionada pela arte".

E agora que terminei de ler esse livro que é muito mais que uma obra de arte - é o retrato de uma realidade - e me deparo com diferentes situações, das quais eu simplesmente ignorava. Então, eu me convenço de que é preciso (re)mexer em algumas feridas para que a cicatriz seja definitiva. Foi isso que o livro do Frei Betto provocou em mim, que sou um indivíduo frugal e até já pensou em ser advogada, mas... de quem? a quem eu quero servir? qual é o meu papel? e, novamente, eu me recordo do Manual de Guerrilha: "É melhor cometer erros atuando a não fazer nada por medo de cometer erros".

"Um revolucionário é um ser social, como uma árvore cujas raízes se espalham à sua volta, cravadas no chão da história, e cujos frutos vão muito além de seus galhos e nutrem o esforço de libertação".

Com isso eu me recordo da música e da história de Dom Quixote e me dou conta de que quiçá este personagem realmente apresente as qualidades de um guerrilheiro urbano: "que possa caminhar bastante; que seja resistente à fadiga, fome, chuva e calor;conhecer como se esconder e vigiar, conquistar a arte de ter paciência ilimitada; manter-se calmo e tranquilo nas piores condições e circunstâncias, nunca deixar pistas ou traços". Talvez ele seja chamado de otário por agir assim, mas como diria o Humberto Gessinger na canção: "tudo bem, seja o que for, seja por amor às causas perdidas, por amor às causas perdidas".

Ao final das leituras, das reflexões, das análises, das recordações, das discussões e dos pensamentos e atitudes, eu encerro este texto com uma pequena e marcante frase do Batismo de sangue que justifica toda essa minha inquietude, frustração e angústia:

"Mais importante que viver por uma causa é morrer por ela".

por: Adrielle Lopes

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

busca da felicidade


Em meios aos livros,
Em meio aos meus anseios,
Em meio aos meus medos, meus atormentos...
Eu vou me lembrando de cada palavra abortada,
de cada busca em meio às paredes escuras, procurando o seu olhar...
E eu sinto falta e saudade do que não foi vivido,
de todas as minhas juras (não ditas - malditas).

Em meio a essa canção que penetra todos os meus sentidos - não apenas a minha audição, aí está a vontade de voltar atrás, de tentar recomeçar, de enfim encerrar.
E então eu lembro das montanhas esverdeadas que rodeiam esta cidade, formando um lindo horizonte com o céu num tom mais azul que é até difícil de se acreditar.
A vontade que tenho é de devorar estes livros (pesquisa em saúde, pesquisa social...metodologia da pesquisa) talvez seja uma forma de compensar toda a falta de conhecimento que tenho sobre tudo isso que se passa. Por que não passa? "Se tudo passa, talvez você passe por aqui e me faça esquecer tudo que eu fiz" - tudo que eu não fiz... tudo que eu não quis... tudo que eu ouvi e não vivi.

Em meio a estes textos, a este vazio, a toda esta falta que não sei explicar...
aqui está a lembrança e a saudade se misturando, se fundindo, se multiplicando dentro de mim.
A vontade que tenho é de apagar estas imagens, os sons, e inclusive estas minhas inúteis palavras - só sabem me atormentar!

E em meio a sorrisos e lágrimas inexistentes está um aperto terrível se instalando em mim.
Em meio a todo este nada, está você, motivo de meu desespero, de minha tranquilidade, de tudo aquilo que eu espero - motivo de toda esta dualidade. Esqueci tudo que eu iria falar! e em meio a este esquecimento, em meio a estas palavras reprimidas, em meio a tudo isso está a busca incessante e desnecessária pela felicidade.



Adrielle Lopes.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

2011 foi embora...


Chegou causando...muito trabalho!
Chegou me arrastando, me carregando, me afugentando...nada ao acaso.
Terminou arrasando...nunca mais eu tinha jogado baralho!
2011 passou rápido como um breve desajeitado atraso.
Lento como uma disputada corrida de cavalos!
365 dias se passaram...
Tempo suficiente para me deixar em alerta, em sintonia, em harmonia, em espera.
As fotografias que ficaram me mostram sorrisos constantes...
E a confiança da mudança de atitudes me deixa vigilante.
2011 me trouxe a realização de um sonho...
A aproximação de amizades vibrantes!
Me trouxe muito trabalho, muita leitura, muita concentração, muita desenvoltura.
Me trouxe a oportundiade de conhecer melhor 4 cidades da Bahia: Feira de Santana, Vitória da Conquista, Itabuna e São Francisco do Conde.
Me trouxe de volta amizades distantes, me trouxe novas amizades importantes, me trouxe professores valentes e alunos fascinantes!
"Mas te vejo e sinto o brilho desse olhar, que me acalma, me traz força pra encarar (tudo)".
2011 foi embora, e levou consigo muita coisa minha...mas deixou pra mim um monte de lembrança boa...
2011 foi embora, e agora, aqui dentro, eu quero estar ali, logo ali...depois da curva, bem do lado de fora, numa boa!
^^





segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

EVSUS São Francisco do Conde - BA 2011


Enfim, o Estágio de Vivências no SUS aconteceu.
Nasceu forte e saudável, após tanta espera, tanta conversa, tanta estrada...
Alguns entraves apareceram no caminho, dentre eles, um calor insustentável, mas mesmo assim, floreceu!
Risos e protestos lado a lado com muita concentração, foi assim desde o momento da entrada.
Não poderia ser diferente: um monte de mente pensante, que há muito tempo já se preparava e ansiava por este instante...embora tenha sido breve e cansativo, mas também foi muito enriquecedor. Certamente vai ficar para sempre em nossas mentes!
Todo estudo, toda dedicação, e tudo o mais valeram a pena... Aliás, eu diria que valeu a galinha interia!
Tenho total convicção de que da próxima vez que eu olhar minuciosamente as anotações, observar cuidadosamente as fotografias ou apenas lembrar o nome da cidade de São Francisco do Conde (que não será apenas por causa da renda per capita alta), terei a certeza de que a minha formação humana, a minha formação acadêmica, a minha formação profissional foram realmente completas.
E da equipe multiprofissional não levarei apenas os nomes, levarei também os sonhos, os semblantes, os argumentos, os risos, os questionamentos, as vozes, os apelidos, as brincadeiras...enfim, os mesmos objetivos!
Enfim, o Estágio de Vivências no SUS não apenas aconteceu, mas de fato nos envolveu, nos acolheu, nos recebeu, nos escolheu...e, como resposta, pactuamos seguir os mesmos caminhos, embora em trilhas distintas porque desta vez, seguiremos com mais otimismo...com a certeza de que podemos fazer a diferença, provocar a mudança e, enfim... com saudade de tudo o que passou, mas que ficará conosco até o infinito!

por Adrielle Lopes, em 21.12.2011

domingo, 11 de dezembro de 2011

Amizade é matéria de salvação


Quando eu li a frase da Clarice Lispector "Amizade é matéria de salvação", pela primeira vez, não imaginava o quão profunda e consistente ela seria...
O fato é que conversando com Ramon Luduvico, seja a respeito da infra-estrutura universitária, ou o currículo do curso de Educação Física da UESB, ou simplesmente sobre religião, ele me faz analisar as coisas por outros ângulos, a ponto de me sentir num estado de plenitude, de nirvana, de salvação...e então eu penso que a Clarice tinha razão...
Tem gente que ama o dinheiro, que ama o time de futebol, que ama viajar, que ama um monte de coisa... nada contra amar, muito pelo contrário... mas, amar a amizade desse menino, pra mim, tem um sabor todo especial de apoio, de iluminação, de suavidade e enfim...de felicidade!
E é isso o que acontece com Ramon Luduvico, meu calouro de Educação Física, um cara que eu gostei desde o instante em que fitei o brilho dos olhos dele, desde o dia em que a dança inundou seus músculos e transbordou por sorrisos satisfeitos e sinceros.
Tenho descoberto, durante a graduação, por culpa dele, que os pilares da universidade não se sustentariam se não fossem pelas pessoas que a suportam, e por isso, eu concordo plenamente, quando ele diz: "os pilares da universidade deveriam ser ensino, pesquisa, extensão e pessoas - especialmente as pessoas".
Ele é um cara Humano Demais, que não vê apenas o tamanho, a cor, a imagem, a textura...mas tudo isso ao mesmo tempo, e algo mais, aquilo que é invisível aos 5 sentidos do corpo humano por outras pessoas.
Sou absolutamente grata à Deus por ter tido a oportunidade de conhecê-lo, de conviver com ele, de compartilhar suas ideias e criar outras ao seu lado. Agradeço também porque, mesmo quando divergimos em alguns pensamentos, há amor suficiente para respeitar as ideias e os ideais da nossa individualidade. O curso de Educação Física nos uniu, por obra divina...e eu espero que mesmo quando o nosso tempo de graduação terminar, simplesmente possamos lembrar que a amizade é a nossa salvação, pois de nada adiantaria, não apenas a universidade, mas tudo o que há, se não fosse pelas pessoas, pessoas como Ramon Luduvico, que fazem a minha vida ser matéria de salvação...
Te amo, meu amigo!
^^


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Mês dos Conflitos...

Todo final de ano é a mesma coisa: um vazio invade a minha mente!
Dá vontade de ir embora, sem malas, sem histórias, sem despedidas...
Uma sensação ruim me persegue nessa época do ano, fico atormentada. Então, começo a ter pesadelos, as mãos e os pés gélidos, os conflitos começam a tomar forma, literalmente!
Definitivamente eu não gosto desse período. Se eu pudesse apagar durante todo o mês de dezembro... emendar novembro em janeiro. Entrar em coma no mês de dezembro era o que eu precisava, realmente.
O fato é que este mês me deixa mais estranha do que já sou, me deixa desesperada, me falta tudo e sobra algo mais... E talvez por esta época ser um momento de reflexão, de observação, de introspecção que eu, simplesmente vivencio essas crises. Será que tudo isso está valendo a pena? até que ponto? até quando eu vou vivendo assim, com objetivos ínfimos, cheia egoísmos e conquistas fugazes? Tudo é tão passageiro e o que estou fazendo para melhorar isto que chamo de vida? hummmm, acertou quem disser: "Nada", absolutamente!
E eu penso que o Humbeto Gessinger diria que "na verdade nada é uma palavra esperando tradução". É, mas ele é um poeta, um gênio, um ser humano que está em outro nível... em contrapartida eu sou insignificante, lamentavelmente!
Nesse instante eu começo a ter medo da companhia inevitável da solidão (algo que eu sempre venerei), o pior é que, inclusive, passo a ter medo também da presença constante das pessoas que estão ao meu redor, e veja só quanta contradição! Eu vi uma frase que dizia assim: "Não tenha medo de estar só, tenha medo de estar vazio". Eu estou com medo de tudo, de todos, de nada e de ninguém. Tenho a leve impressão de que tenho medo de mim mesma e de todos estes pensamentos. Ai que mês mais desagradável e longo é esse dezembro! Fico aqui na expectativa de vê-lo passar o mais breve possível, de olhos fechados, com o coração apertado, a mente desligada e as mãos geladas...

domingo, 27 de novembro de 2011

passado x presente [²]


Sempre que retorno à casa de meus pais, debruço-me sobre as fotografias, cds, livros, cadernos, cartas. Em um desses momentos, resolvi voltar ao passado através da releitura de textos que eu guardei das pessoas que participaram da minha história de uma forma ou de outra. Então, encontrei um texto escrito em 28/11/2004, por alguém que dividiu alguns momentos inesquecíveis ao meu lado durante a época do Ensino Médio. Não sei o porquê de ter ficado com esse texto, nem tampouco posso explicar o motivo pelo qual o guardei e o estimo tanto. Talvez seja pelo fato de que a pessoa que o escreveu, apesar de não mantermos mais contato, continuará sempre sendo muito importante para mim. Inclusive, esse texto é de uma sensibilidade tão profunda, que encanta qualquer pessoa, como acontece comigo, mesmo depois de 7 anos transcorridos:

20:13h

"A lua surge em meio à cidade luz, em que horas atrás se encontrava tão pacífica diante do por do sol, ali há vida envolvida de amor. Não consigo imaginar como seria senão dessa forma, e sei que posso não estar certa disso. Essa dúvida arde profundamente em meu peito, não pense que não. Mas como este dia "perfeito" aconteceu, não irei lagrimejar nem fraquejar nesse instante, tendo que esconder a dor que sei que já sinto, mas não sei o porqueê. Deveria eu saber? Preferia nem pensar em querer afirmar tal sentimento e sensação. Agora vejo que um ser humano é tão dependente do outro que acaba cometendo o crime de acinzentar a grandeza do que deveras sentir devido ao fato de temer o acaso, o incontrolável, o que nos torna submissos uns aos outros. Aí há guerra, há terror, há desesperança... Lembro-me agora do que me impulsionou a sentar-me aqui e me dispor a escrever. Clarice inspira no momento em que declara: "[...]nasci para escrever. Minha liberdade é escrever. A palavra é meu domínio sobre o mundo". Imagino os carros que passam velozes e diretos, à procura de um lugar ou não, uma ocasião para erguer faces que já nem se reconhecem à cerca da imposição de regras de conduta, da mais tola queda de uma criança que deve aprender a andar, até o seu último suspiro, quando jaz, e quando o corpo torna-se apenas espírito. A matéria é decomposta e vidas são recompostas em torno delas. Perdi-me ao dizer tudo isso, mas nada pudera fazer-me esquecer daquele brilho de olharinesquecível, causador de todo esse desespero de minh'alma, que me lembra dos carros acima citados, tão concentrados nas trilhas que seguem e imperceptíveis da presença de ti, tão minha enquanto eu queria que assim seja. Neste momento sua existência só se enxerga por mim, e eu sou única e exclusiva para admirar, desejar, tocar, possuir tudo vindo de ti, e você de mim. Falhei... Precisava não demonstrar, não revelar esse querer tão distante de realidade, vivo em fantasias, assim como os sonhos, tão perfeitos quanto irreais. Como posso conter o que estou sentindo?Como eu queria manter em mim tudo isso (que por ser tão bom de sentir, doi...), até que se tornasse passado, lembrança, algo guardado. Poderia eu querer intensificar e eternizar esse sentimento, mas recuso-me a escravizar-me pelo amor. É... AMOR. Teriam vocês pensado que seria isso? Pois afirmo que evitei declarar essa dor, esse medo, essa fúria. Essa erupção que me faz sentir vontade de tê-la, de entregar-me em sangue, carne, alma. A pureza me conduz em caminhos estreitos, escarpados, dolorosos... E no fim de tudo isso te reencontro no mar, na lua, no céu, nas estrelas, sobretudo em meu coração. Retorno para onde comecei infelizmente ou não, preciso abster-me do meu querer e contentar-me com o que fora apenas real. Mas o que fora real?"

21:04h

P.M.C.