domingo, 12 de fevereiro de 2012

humanidade avessa



Eu amo os bichos. Pensei em ser veterinárias umas 400 vezes.



Não adiantou, a Licenciatura em Educação Física entrou pelas portas do fundo e se alojou no canto esquerdo do peito.



Mas nada mudou: cada dia de minha vida, em cada aula planejada, em cada aula frequentada, e em cada aula apreciada/indesejada ali está a minha vontade de lidar com animais, aqueles seres tão julgados irracionais que só pretendem sobreviver.



Os seres humanos são tão difíceis de entender...olhe pra mim e o que estou dizendo você vai compreender...



Os bichos não, eles não reclamam nem do frio nem do calor. Não mudam constantemente o humor. Não se preocupam em ter que fazer qualquer coisa para conseguir dinheiro. Enfim, deve ser bem mais tranquilo, seguro e previsível lidar com os animais.



Tenho pensado na humanidade, na sua crueldade, na sua individualdiade, na sua irresponsabilidade. É...tenho pensado muito em mim. Definitivamente eu deveria ter mudado de curso em uma dessas 400 vezes em que desejei ser veterinária...agora já era: seres humanos me esperam, porque precisam ter seus corpos mudados, lapidados, estruturados, modificados, analisados, estudados...e por fim, vacinados contra toda essa hipócrisia que nós próprios criamos.


Então, mais do que nunca eu me imagino um cavalo marinho, fugindo das águas poluídas pelo cloro das piscinas naturais...agora, mais que nunca, eu penso: "A humanidade é o vírus do planeta". Vai tomar teu rumo, cavalo-marinho, segue sua rota...e deixa tudo isso para trás.






quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

bom senso


Vamos entrar num consenso?
não me diga o que eu penso, nem tampouco o que eu quero, o que eu devo...
não pretendo mudar teu comportamento... só tenho poder de mudar o que escrevo!

Vamos entrar num consenso!
de agora em diante vamos ficar mais distante.
Vou esquecer tudo aquilo que você considerar importante...

Vamos entrar num consenso...
quem sabe em breve nos entenderemos?
quando os anos passarem, os conceitos se transformarem...

Vamos entrar num consenso, vamos entrar naquele terreno, vamos adentrar em nosso pensamento, vamos abrir estes ferimentos, causar mais sofrimento e enfim olhar para trás e perceber que criamos um inferno.

Pensando bem, tô fora desse lance insano.
Somente os loucos decidem entrar em consenso
neste momento, eu só penso em me enterrar num canto...
bem longe do seu bom senso!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

gastrite nervosa


A monografia só começando,
um sonho se concretizando,
aulas re-começando, outras ainda em planejamento...
uma alimentação rica em lipídio,
trabalhos e pesquisas em andamento...

Isso me deixa com muita dor de estômago,
no âmbito do meu ser, em qualquer sentido
rodeando todo meu âmago, totalmente irrestrito...
perpassa o esôfago e chega até o centro do meu ventre reprimido.

Uma dor psicológica, uma dor crônica, uma dor (in)precisa!
invade os livros, as imagens, os sons, o tato...
permeia toda a minha criatura (in)devida,
seguindo minha jornada como um rastro.

A dor de estômago, só está começando:
espere até a monografia terminar...
até o sonho se realizar
até as aulas terminarem
até o planejamento ser cumprido
até a alimentação ficar balanceada
e os trabalhos e pesquisas concluírem...
só então a gastrite nervosa vai me deixar em paz!
será?

enquanto isso a dor de estômago me corroi, me destroi...
e sorri!







quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

por amor às causas perdias*

Até então, eu só possuía o superficial conhecimento do Manual de Guerrilha, o qual eu ainda nem havia terminado de ler... Mas, com o Batismo de Sangue foi diferente: em 15 dias eu desconstruí e reassimilei tudo o que sabia (ou pensava que sabia) a respeito da história do Brasil na época da Ditadura Militar.

"A resistência humana tem limites nem sempre conhecidos. Ao encarnar em sua vida os ideais pelos quais lutava, Marighella conseguiu que o limite de sua resistência chegasse à fronteira em que a morte recebe o sacrifício como dom".

Em diversas passagens do livro de Frei Betto, era impossível não lembrar de algumas frases contidas no Manual de Guerrilha: "o guerrilheiro urbano defende uma causa justa, que é a causa do povo". E eu me paro pensando, refletindo sobre minhas próprias causas - perdidas ou não - quase sempre egoístas, pífias e efêmeras. Daí, para tentar aliviar essa sensação de egocentrismo eu explico para mim mesma "aqueles eram outros tempos"... mas aqui dentro, eu sei que essa desculpa não cola. E quando eu terminei de ler o Batismo de sangue, me dei conta de que o Frei Betto talvez pudesse estar correto ao colocar que "É mais fácil ser solidário às causas que às pessoas". Pra mim, há um paradoxo entre o que sinto e sou e o que eu li e aprendi, pois eu sempre defendi o ser humano e a sua humanidade, mas como ser humana diante de tantas atrocidades, tantas injustiças e tanta exploração - que até hoje atormenta o povo brasileiro? tenho total convicção de que há alguma coisa de errado com os meus ideais!

"No teatro, o último ato é o mais importante e o único no qual os espectadores são além da peça, os verdadeiros atores: o momento da saída, quando o reencontro com a realidade lá fora dá-se na visão crítica proporcionada pela arte".

E agora que terminei de ler esse livro que é muito mais que uma obra de arte - é o retrato de uma realidade - e me deparo com diferentes situações, das quais eu simplesmente ignorava. Então, eu me convenço de que é preciso (re)mexer em algumas feridas para que a cicatriz seja definitiva. Foi isso que o livro do Frei Betto provocou em mim, que sou um indivíduo frugal e até já pensou em ser advogada, mas... de quem? a quem eu quero servir? qual é o meu papel? e, novamente, eu me recordo do Manual de Guerrilha: "É melhor cometer erros atuando a não fazer nada por medo de cometer erros".

"Um revolucionário é um ser social, como uma árvore cujas raízes se espalham à sua volta, cravadas no chão da história, e cujos frutos vão muito além de seus galhos e nutrem o esforço de libertação".

Com isso eu me recordo da música e da história de Dom Quixote e me dou conta de que quiçá este personagem realmente apresente as qualidades de um guerrilheiro urbano: "que possa caminhar bastante; que seja resistente à fadiga, fome, chuva e calor;conhecer como se esconder e vigiar, conquistar a arte de ter paciência ilimitada; manter-se calmo e tranquilo nas piores condições e circunstâncias, nunca deixar pistas ou traços". Talvez ele seja chamado de otário por agir assim, mas como diria o Humberto Gessinger na canção: "tudo bem, seja o que for, seja por amor às causas perdidas, por amor às causas perdidas".

Ao final das leituras, das reflexões, das análises, das recordações, das discussões e dos pensamentos e atitudes, eu encerro este texto com uma pequena e marcante frase do Batismo de sangue que justifica toda essa minha inquietude, frustração e angústia:

"Mais importante que viver por uma causa é morrer por ela".

por: Adrielle Lopes

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

busca da felicidade


Em meios aos livros,
Em meio aos meus anseios,
Em meio aos meus medos, meus atormentos...
Eu vou me lembrando de cada palavra abortada,
de cada busca em meio às paredes escuras, procurando o seu olhar...
E eu sinto falta e saudade do que não foi vivido,
de todas as minhas juras (não ditas - malditas).

Em meio a essa canção que penetra todos os meus sentidos - não apenas a minha audição, aí está a vontade de voltar atrás, de tentar recomeçar, de enfim encerrar.
E então eu lembro das montanhas esverdeadas que rodeiam esta cidade, formando um lindo horizonte com o céu num tom mais azul que é até difícil de se acreditar.
A vontade que tenho é de devorar estes livros (pesquisa em saúde, pesquisa social...metodologia da pesquisa) talvez seja uma forma de compensar toda a falta de conhecimento que tenho sobre tudo isso que se passa. Por que não passa? "Se tudo passa, talvez você passe por aqui e me faça esquecer tudo que eu fiz" - tudo que eu não fiz... tudo que eu não quis... tudo que eu ouvi e não vivi.

Em meio a estes textos, a este vazio, a toda esta falta que não sei explicar...
aqui está a lembrança e a saudade se misturando, se fundindo, se multiplicando dentro de mim.
A vontade que tenho é de apagar estas imagens, os sons, e inclusive estas minhas inúteis palavras - só sabem me atormentar!

E em meio a sorrisos e lágrimas inexistentes está um aperto terrível se instalando em mim.
Em meio a todo este nada, está você, motivo de meu desespero, de minha tranquilidade, de tudo aquilo que eu espero - motivo de toda esta dualidade. Esqueci tudo que eu iria falar! e em meio a este esquecimento, em meio a estas palavras reprimidas, em meio a tudo isso está a busca incessante e desnecessária pela felicidade.



Adrielle Lopes.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

2011 foi embora...


Chegou causando...muito trabalho!
Chegou me arrastando, me carregando, me afugentando...nada ao acaso.
Terminou arrasando...nunca mais eu tinha jogado baralho!
2011 passou rápido como um breve desajeitado atraso.
Lento como uma disputada corrida de cavalos!
365 dias se passaram...
Tempo suficiente para me deixar em alerta, em sintonia, em harmonia, em espera.
As fotografias que ficaram me mostram sorrisos constantes...
E a confiança da mudança de atitudes me deixa vigilante.
2011 me trouxe a realização de um sonho...
A aproximação de amizades vibrantes!
Me trouxe muito trabalho, muita leitura, muita concentração, muita desenvoltura.
Me trouxe a oportundiade de conhecer melhor 4 cidades da Bahia: Feira de Santana, Vitória da Conquista, Itabuna e São Francisco do Conde.
Me trouxe de volta amizades distantes, me trouxe novas amizades importantes, me trouxe professores valentes e alunos fascinantes!
"Mas te vejo e sinto o brilho desse olhar, que me acalma, me traz força pra encarar (tudo)".
2011 foi embora, e levou consigo muita coisa minha...mas deixou pra mim um monte de lembrança boa...
2011 foi embora, e agora, aqui dentro, eu quero estar ali, logo ali...depois da curva, bem do lado de fora, numa boa!
^^





segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

EVSUS São Francisco do Conde - BA 2011


Enfim, o Estágio de Vivências no SUS aconteceu.
Nasceu forte e saudável, após tanta espera, tanta conversa, tanta estrada...
Alguns entraves apareceram no caminho, dentre eles, um calor insustentável, mas mesmo assim, floreceu!
Risos e protestos lado a lado com muita concentração, foi assim desde o momento da entrada.
Não poderia ser diferente: um monte de mente pensante, que há muito tempo já se preparava e ansiava por este instante...embora tenha sido breve e cansativo, mas também foi muito enriquecedor. Certamente vai ficar para sempre em nossas mentes!
Todo estudo, toda dedicação, e tudo o mais valeram a pena... Aliás, eu diria que valeu a galinha interia!
Tenho total convicção de que da próxima vez que eu olhar minuciosamente as anotações, observar cuidadosamente as fotografias ou apenas lembrar o nome da cidade de São Francisco do Conde (que não será apenas por causa da renda per capita alta), terei a certeza de que a minha formação humana, a minha formação acadêmica, a minha formação profissional foram realmente completas.
E da equipe multiprofissional não levarei apenas os nomes, levarei também os sonhos, os semblantes, os argumentos, os risos, os questionamentos, as vozes, os apelidos, as brincadeiras...enfim, os mesmos objetivos!
Enfim, o Estágio de Vivências no SUS não apenas aconteceu, mas de fato nos envolveu, nos acolheu, nos recebeu, nos escolheu...e, como resposta, pactuamos seguir os mesmos caminhos, embora em trilhas distintas porque desta vez, seguiremos com mais otimismo...com a certeza de que podemos fazer a diferença, provocar a mudança e, enfim... com saudade de tudo o que passou, mas que ficará conosco até o infinito!

por Adrielle Lopes, em 21.12.2011