segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Entre o outrora e o agora

É madrugada do dia 27 de novembro.
O ano é este lamurioso 2018.
A última vez em que estive aqui a minha vida estava nos eixos.
Tudo estava como devia estar...
Há 4 meses nada estava fora do lugar.
Na última vez em que parei para me dedicar para este espaço eu estava na estrada... na infinita highway... BR101.
Hoje está tudo do avesso. Não me reconheço.
Quem é essa louca que vejo refletindo no meu espelho?
O que ela faz aqui?
Olho ao meu redor e (trans)piro.
Nada por aqui faz sentido...
Aliás, nada em minha vida faz nenhum sentido já há algum tempo...
No início do mês passado Mozinho morreu, eu rompi um relacionamento de 7 longos anos e iniciei outro que já começou destinado a não dar certo... por amor às causas perdidas...
Meu gato morreu de velhice, mas ele só tinha 15 anos... queria que ele chegasse à marca de Romeu (o gato de Dorinha) que viveu 18 anos. E eu? Quanto ainda falta para deixar de existir? Mais 15 anos e serei uma senhora de 46 anos, e eu me pergunto aonde estarei? Se eu tiver morrido, não tenha dúvida: estarei ceando num banquete cujo cardápio será repleto de crustáceos de todos os tipos e tamanhos, na companhia nefasta do malígno tio Lú... eu não tenho salvação.
Há 4 meses minha vida estava em ordem, tudo alinhado, em perfeito estado de conservação.
Hoje está tudo em desalinho, em perfeito estado de putrefação.
Eu não tenho mesmo salvação.
E em 3 meses tudo pode entrar em erupção. Eu sou um vulcão em extinção. Um carnívoro perdendo a presa. Quando se trata de mim tudo se esvai. Eu não tenho como ter salvação. Então não me entenda, não me diga, não me siga, não se lembre de mim. Quem eu era há 4 meses já não está mais aqui e provavelmente quem eu serei daqui há 3 meses também já deverá partir.
É...
Eu não tenho salvação.
A vida está sendo e será bem melhor sem mim.
E eu... ora, eu vou vivendo assim, aqui e ali, entre o outrora e agora. Raspas e restos me interessam e se eu não tiver tudo também não quero nada. Vida que segue... e a saudade do meu felino está me ferindo tanto...


sexta-feira, 13 de julho de 2018

Vamos brindar!


13 de julho de 2018... em 15 dias completo 31 anos de idade.
Não sei porque me apego tanto aos números se eu nem sei usá-los direito...
Mas parece que aquela história de que depois dos 30 a vida começa a pesar é verídica.
Eu sei que não há como comparar épocas históricas distintas. Só que é inevitável não fazer uma reflexão comparativa no momento em que lembro da minha mãe com a minha idade, eu tinha 8, meu irmão, 6... ela tinha (e ainda tem) um casamento feliz, uma casa (oh saudade de casa), carro (embora ela não o dirigia mesmo tendo carteira de motorista, o que sempre me incomodou, mas ela nunca demonstrou se importar com isso, pelo contrário) e emprego fixo (tanto que até hoje está trabalhando com a mesma dedicação e afinco de sempre).
Mas e eu? O que eu tenho?
É mais fácil apontar o que eu não tenho. Porque tenho bastante nãos: não tenho filhos (nem os terei), não sou casada  (talvez nunca serei), não tenho casa (e estou bem longe de ter), não tenho carro ( nem a habilitação tirei ainda)... me sobrou o emprego fixo, que não é tão fixo assim, uma vez que numa instituição privada a qualquer momento posso ser desvinculada do quadro de empregados da empresa.
Não sei porque essas coisas ficam rondando meus pensamentos, tenho uma coisa que é impagável: liberdade. Posso dormir às 3h e acordar às 13h, ninguém vai passar fome por minha causa, ninguém vai se preocupar. Sou livre, não completamente mas o suficiente para ser minha dona e responsável unicamente de mim mesma... e eu dou conta do recado, esse semestre foi prova disso: trabalhei muito, tirei tempo para ir para a academia, melhorei minha alimentação (ainda falta muito para a excelência, eu sei, mas a gula é meu pecado favorito depois da preguiça, ou seria o contrário?), fiz novos amigos, passei tempo com os velhos e bons amigos, viajei em todos os feriados para estar perto dos meus amores e ainda tentei concurso público porque em algum momento eu serei funcionária pública. Mas enquanto isso eu faço o melhor possível para contribuir com a formação acadêmica e humana dos meus alunos na instituição privada a qual sou grata pela confiança e oportunidade.
Mas, ainda assim, mesmo desfrutando da liberdade de dormir e acordar sem preocupações com o bem estar de outro ser humano além de mim, parece que a vida é vazia. Afinal, qual o sentido de trabalhar para pagar boletos e faturas que se multiplicam e se repetem mensalmente?
Eu terei 31 anos de idade em 15 dias. E não sou nada. Nem tenho pretensão de ser diferente do que sou agora. Não sou mãe de ninguém, nem esposa, nem dona de imóvel... e pra ser sincera, às vezes não é tão ruim como está parecendo agora. Pelo contrário, de vez em quando é bem bom, melhor do que eu poderia prever, inclusive. E é muito, muito mais do que mereço.
Então que esses 15 dias à espera dos 31 sejam bastantes aproveitados, porque embora eu não mereça todas essas dádivas que são os meus “Nãos” sou muito grata por cada um deles. E vou aproveitá-los até a última gota. Porque se a tal da morte vier ela só vai levar a mim... tudo o mais permanecerá exatamente do jeito que está. E isso é fascinante: posso viver tranquila porque nada me prende, ninguém depende de mim e eu sou tão livre que dá vontade de dançar mesmo que não tenha música, dá vontade de ficar horas seguidas lendo um livro, dá vontade de passar o final de semana todo vendo filme, comendo guloseimas e ir dormir tarde após maratonar Grey’s Anatomy  (agora só falta a 13 temporada, finalmente!). Então, Não. Eu realmente não tenho do que reclamar! Tenho mais é que agradecer mesmo. E agradecer muito.
E já que é pra agradecer vamos fazer um brinde à essa vida!

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Envelheci 10 anos ou mais neste último mês

O quinto mês do ano se findou.
Com ele foi embora essa irritante esperança que insiste em me acompanhar dia após dia.
A greve dos caminhoneiros, apesar de justa e válida, trouxe à tona a clemência por parte da população brasileira pela intervenção militar, colocando em cheque minhas perspectivas de dias melhores, aumentando minha desconfiança em relação às eleições presidenciais deste ano. Não quero estar aqui se Bolsonazi for eleito. Ou se essa tal intervenção militar vingar.
A copa do mundo na Rússia está prestes a começar e acho que será a primeira copa do mundo de futebol em que não pretendo usar a camisa da seleção brasileira. Estou realmente com vergonha. Não apenas pelos intragáveis e indigestos 7 x 1 da Alemanha em 2014, na nossa casa. Mas principalmente porque estou rodeada de brasileiros que desconhecem sua própria história. E eu me sinto um pouco responsável por isso... porque eu poderia ter contribuído para que mais pessoas fossem esclarecidas sobre o passado do Brasil, a fim de que jamais ele volte a se repetir. Mas como diria o Gessinger: “a história se repete, mas a força deixa a história mal contada”.
Durante toda a minha trajetória pela escolarização básica as disciplinas de história e redação eram as minhas matérias preferidas. Geografia entrou pro time logo que deixei o ensino fundamental dois. Educação Física, por incrível que pareça, nunca compôs esse rol.
Então me questiono o porquê de eu não ter seguido a carreira de professora de História? Já que esta era a minha queridinha na escola... simples: tenho um irmão que me salvou de passar raiva e desgosto ao ter que lidar com seres humanos que acham que estudar o comunismo é doutrinação marxista ou que acreditam que a Ditadura militar no Brasil foi um tempo próspero e incorruptível. Não sei se choro, se rio ou se sinto pena!
Se eu seguisse por esse caminho dos dois um: ou eu morreria cedo de desgosto ou eu morreria cedo de vergonha alheia. Não teria escapatória senão a vontade de morrer. Por falar nisso, ainda ontem pensei nisso. Não tô falando de suicídio, embora tenha pensado nessa possibilidade inúmeras vezes durante a adolescência, quando julgava erroneamente que minha vida se resumia a passar no vestibular de Direito de uma Universidade pública porque se não conseguisse seria uma pessoa fracassada e desmerecedora da admiração dos meus pais. Depois que compreendi a imensidão da vida para além das regras pré-estabelecidas pela sociedade, percebi quão tola e manipulada eu fui.
Mas enfim, o que será que é morrer? Só deixar de existir ou deixar de contribuir com o mundo? Ou ambos? Ou nenhum desses? Quantas pessoas morreram por causa do regime militar brasileiro? Pra que? Por que? Será que elas continuam existindo e contribuindo para o mundo? E nisso me perco em divagações... São 1:26h do dia 30 de maio de 2018. Estou absolutamente cansada de ser brasileira. Tem como trocar de nacionalidade? Tem como trocar de coração? Tem como sentir menos vergonha? Se você souber o que fazer pra diminuir essa sensação de inutilidade e de incompetência diante da realidade do país, por favor, me avisa! Me dê uma dica. Minha foice e meu martelo estão enferrujando e a desesperança começa a me abater. Tô entregando os pontos e agradecendo por ter seguido a carreira na Educação Física. Seria muito frustrada como professora de História. Que os profissionais desta área se mantenham intactos e jamais leiam esse texto. É só o que eu quero pra agora: que eles se mantenham firmes. E que o sono me acolha e me faça esquecer destes dias sombrios e daqueles que estão por vir. Porque no Brasil é assim: tudo o que é ruim sempre pode piorar. Venho constatando isso desde 2016. E estou torcendo para que eu deixe de estar certa. Cansei de falar “Eu disse”. Quero acordar amanhã e constatar que essas preocupações serviram apenas pra me envelhecer. Porque no fundo é isso: a gente só quer envelhecer e morrer com a consciência tranquila de que fez o melhor que pôde.


quarta-feira, 16 de maio de 2018

De lá pra cá

Dois meses se passaram.
E a cada ida e volta do percurso Vitória -Manhuaçu submergiram tantos textos... todos ficaram aqui dentro, na minha mente... e eu tinha tanta coisa pra contar, tanta coisa pra extravasar, tanta coisa pra vomitar...(Tudo é igual quando se pensa
Em como tudo deveria ser, há tão pouca diferença e há tanta coisa a fazer), mas ficou retido, preso e condenado a me ferir todas as vezes em que antes de dormir passei horas pensando neles e ao acordar no outro dia ao invés de materializá-los o que se encontrava era apenas o check-list dos afazeres diários... os textos, que outrora se resguardavam na minha memória se transformam agora em no que preciso comprar no supermercado e na avaliação dos trabalhos acadêmicos dos meus alunos.
Sempre me orgulhei da minha ótima memória (herança do meu avô materno), porém tenho a impressão de que depois dos 30 ela tem começado a falhar. Cadê meus textos que estavam aqui ainda ontem?
Eu tinha elaborado um texto pra externar a saudade do meu irmão, comparando com a sensação que tive quando aos 17 anos tive que ir morar em outra cidade e o quanto isso acabou me matando de saudade... em 2005 meu irmão estava descobrindo as maravilhas e dissabores da adolescência e eu não estava do lado dele pra acompanhá-lo. Foi assim até 2008 quando ficamos juntos novamente, mas todo mundo acha que a gente sempre morou junto... e pensando melhor, acho que estão certos: moramos no coração um do outro, impossível estar mais junto que isso. Mas faz falta... a risada, as brincadeiras, a preocupação, o cuidado... as séries que assistimos juntos (How I Met Your Mother, Altered Carbon, Friends, Chaves, Chapolim), os desenhos (O fantástico mundo de Bob, Pica Pau, Tom e Jerry), filmes (Velozes e furiosos, Guardiões da Galáxia e aquelas comédias românticas que ele escolhia e eu adorava criticar dizendo que era clichê, mas na verdade eu me divertia) e, claro, nosso anime favorito desde a infância (Cavaleiros do zodíaco).
Faz falta também aquela amizade de quem te escreveu cartas, fez desenhos e orações, de quem te abraçava toda vez que te encontrava e que sem mais nem menos, sem apresentar nenhum motivo, se afastou, te ignorou, te anulou e sequer te cumprimenta mais, nem por educação. Como entender? Como acreditar de novo em novas amizades?
Ora, seguindo... quem suporta a saudade do irmão que está em outro estado, dos pais e do namorado que moram num outro estado, dos amigos que moram longe, então se pode suportar qualquer coisa, concorda?
E o fato de não ter sido aprovada nos concursos públicos ainda é a mostra de que  é preciso nos fortalecer, amadurecer ainda mais, endurecer se for necessário, mas jamais deixar de acreditar na possibilidade das novas amizades, das novas histórias e fotografias a serem compartilhadas e a minha turma do primeiro período de Educação Física tem sido uma dádiva nesse sentido.
Portanto, mesmo com as perdas, com as lutas e as dificuldades de suportar tudo o que acontece na vida, a gente vai resistindo, tentando manter a sanidade apesar da loucura que é este mundo.
Então a gente vai seguindo, sorrindo, torcendo por dias melhores, agradecendo pelas boas pessoas que aparecem em nosso caminho e pelas que se retiraram também. As pessoas devem ser livres para ir e vir como eu tenho feito nessa jornada. No fim das contas o itinerário Manhuaçu-Vitória que realizo desde 2016 não é tão longo assim... Profunda mesmo é a capacidade que tenho desenvolvido de seguir mesmo com e apesar de todas as adversidades... e não apenas seguir, mas seguir sorrindo, vibrando amor e paz. Agora é hora de dormir que amanhã tem dois boletos para pagar, tem prova para elaborar, tem aula pra planejar e uma sombrinha pra comprar.

quinta-feira, 15 de março de 2018

o primeiro de 2018

Está cada vez mais difícil encontrar tempo para escrever nesse espaço.

É impressionante como o cotidiano nos engole, nos absorve, nos consome, nos retorce e nos molda conforme seus próprios interesses.
Chega uma hora que a gente se dá conta de que está fazendo as coisas no modo automático: não há mais reflexão sobre o que acontece ao nosso redor... ontem o físico britânico Stephen Hawking (cuja história de vida é retratada naquele filme encantador, A teoria de tudo - e que eu ainda pretendo ler o livro) morreu deixando um legado de inteligência e superação brilhantes para a humanidade. Nesta madrugada, a vereadora carioca Marielle Franco, do PSOL, foi brutalmente assassinada, com motivos políticos intrínsecos nessa conjuntura que nos faz perceber que a ditadura militar deixou muitos vestígios até hoje (e tem gente que ainda conclama pela intervenção militar! Oh céus!). Enquanto isso, professores em São Paulo são violentados por protestarem pelos seus direitos recebendo como cortesia do governo de direita aquelas velhas pauladas da PM, a mesma que se pudesse serviria cafezinho aos juízes federais que se mobilizam hoje a favor da manutenção dos seus privilégios como o auxílio moradia mesmo que eles já tenham residências nos locais mais nobres da elite brasileira.
Mas a gente segue mesmo com todo este caos, a gente vai vivendo com pesar, continua a rotina mesmo com ânsia de vômito ao se deparar com tantas atrocidades, a gente segue apresentando enxaquecas intermináveis e dores que não cessam porque de tanto se repetirem a gente se acostuma... não somos mais autônomos. Estamos autômatos.
Então, o meu primeiro texto de 2018 para o blog não é um "#TBT" da viagem para Natal com meu amor em janeiro.
Não é uma recapitulação do mês de fevereiro pra registrar que estou amando trabalhar com as turmas do primeiro período.
Não é uma ode aos 6 livros lidos até o momento (já parti para o sétimo e quero superar minha marca de 28 por ano).
Não é uma homenagem ao meu irmão que tomou posse hoje do seu cargo público, tornando-se, aos 28 anos, professor de Educação Física da Universidade Federal do Tocantins.
Enfim, meu primeiro texto de 2018 para este espaço é um choque para mim mesma.
É uma lástima.
É um lamento.
É só isso aqui mesmo: sem foto ilustrativa, sem grandes perspectivas.
Nada mais... nada além... nada do que deveria ser..
"Nada a ver, nada a perder...
Nada a fazer, nada não".
Nada a (T)emer!

domingo, 31 de dezembro de 2017

Retrospectiva 2017

Último dia do ano.
Último domingo de 2017.
São quase 5 da tarde.
E estou pensando em tudo o que passou neste ano que termina em aproximadamente 7 horas...
Em janeiro, curti o Morro de São Paulo ao lado do meu irmão, primas, primos, tias e novas amizades. Fiz um esporte de aventura pela primeira vez na vida: tirolesa, que foi a porta de entrada para o rapel. Ainda no primeiro mês de 2017 fui com minha família para Aparecida e Campos do Jordão em São Paulo, depois fizemos um tour por Minas Gerais, onde conhecemos: São João Del Rei, Tiradentes, Mariana, Ouro Preto e a capital Belo Horizonte.
Em fevereiro fui em Ipatinga-MG para assistir ao filme Cinquenta tons mais escuros, ao lado da pessoa que me emprestou os livros dessa franquia: a minha pessoa! Depois disso teve aniversário de 2 anos do meu sobrinho, que apesar de não ser de sangue, é de alma e coração. Antes do Carnaval perdi meu celular no ônibus em um dos infindáveis trajeto que eu fiz entre Vitória-Manhuaçu e um anjo o devolveu pra mim, mostrando que eu poderia continuar acreditando na humanidade. Só estou usando o aparelho neste exato momento porque ela fez o que era correto num mundo onde quase ninguém o faria.
Passei o feriado do Carnaval com meus pais na roça e com meu Bunito em Jequié - cidade que me remete às melhores lembranças que tive na vida.
Nos meses seguintes trabalhei muito: foram 7 grupos de orientação de TCC, mais 3 disciplinas e foi uma loucura. Mesmo assim, em meio a esse turbilhão de atividades, consegui passar a semana Santa com meus pais na cidade onde nasci e pra onde eu sempre retorno porque é lá onde está o meu lar. Então, tive a oportunidade de conhecer as gêmeas da minha melhor amiga desde que me entendo por gente... segurá-las no colo com apenas um mês de nascidas foi extraordinário e emocionante pra mim...
Em Maio, eu e meu irmão realizamos a "Operação Padrinhos do Noivo" e pela primeira vez fomos padrinhos de casamento juntos e o mais incrível é que foi surpresa para a noiva. Foi muito romântico e emocionante.
Em junho fui ao show do Humberto Gessinger com um casal de amigos mineiros e maneiros. E a saudade do meu amor só fez se alimentar e aumentar... Mas em julho matamos a saudade, no início do mês, curtindo o sobrinho dele e no final do mês quando completei os tão esperados 30 na cidade de Irecê-BA, ao lado do meu Bunito! Ainda no sétimo mês do ano, fui convidada para ser a paraninfa da minha primeira turma do ensino superior e foi marcante pra mim. Marcante e emocionante também foi ter conhecido, com um mês de nascida, a filha de uma das minhas melhores amigas da época da faculdade. Neste mesmo mês, minha família Lopes teve a formatura da primeira engenheira e eu estive lá vibrando e comemorando essa conquista da minha prima, a única que tem um tamanho parecido com o meu, apesar de eu continuar sendo a menorzinha da família! Haha
No segundo semestre de 2017, já com 30 no couro, rsrs, tive mais trabalho: supervisão de estágio, mais 5 disciplinas, sendo 2 delas no Bacharelado e dessa vez ministrei aula de uma disciplina que nunca tinha ensinado antes na Licenciatura, então voltei a estudar todos os textos que vi na época da graduação e claro, tive que me atualizar... para tanto, foi providencial participar do XX Conbrace, onde reencontrei o professor que ministrou aula da disciplina que estava sendo um desafio pra mim. Que alegria encontrá-lo e trocar ideias sobre a disciplina em questão e sobre a vida como um todo. Outra coisa interessante sobre esse congresso é que fui com meu irmão e meu ex aluno que apresentou trabalho fruto do TCC que eu o ajudei a orientar. Um orgulho imensurável dele. Mais uma coisa bacana: tive a oportunidade de conhecer Goiânia e Brasília e me encantei tanto pela capital goiana quanto pela capital do meu país.
 Em Outubro passei mais uma semana na Bahia, me dividindo entre Gandu, pra ficar com meus pais e em Jequié, para ficar com meu Bunito. Foi muito legal rever amigos de longas datas, meu primeiro aluno de natação e fazer novos amigos. No final do mês eu e meu irmão fomos para o Tocantins fazer um concurso em Tocantinópolis e foi uma experiência incrível. Amei conhecer a capital do primeiro estado do Norte que tive oportunidade e assim, completei o nível:  conhecer pelo menos 1 estado de cada região do Brasil. A próxima meta é conhecer todos os estados, faltam então: PR, MS, MT, RN, PI, AM, PA, AC, RO, RR e AP.
No mês seguinte fui com minha pessoa pela primeira vez em Guarapari- ES e deu pra entender porque este é o lugar queridinho do Espírito Santo e de Minas Gerais. Neste mês eu e meu irmão voltamos a Tocantinópolis para fazer a segunda etapa do concurso e ele ficou em segundo lugar e eu em terceiro. Mas, certamente aprendemos muito mais do que imaginávamos independente da colocação que ficamos. Agora é focar nos próximos concursos.
Pra finalizar o ano, passei o Natal com minha família na Bahia, e fazendo um balanço do ano que passou fico pensando nos 27 livros que li, o 28° comecei ontem... Penso também em todas as viagens realizadas ao longo do ano, nos amigos que encontrei, nos amigos que queria encontrar mas não tive oportunidade, nos textos que fiz e os que eu queria ter feito mas não tive tempo... fico aqui pensando no tanto de desafio que surgiu neste ano que está se finalizando e que mesmo assim, foi tudo o que eu vivi ao longo de 2017 que me fez chegar até aqui.
Para este momento só há uma palavra que seja capaz de resumir o que estou sentindo agora: gratidão.








segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Escrever x Ensinar

Fui a uma palestra do professor Newton Duarte há uns dois anos quando o mesmo esteve na UFES para falar sobre a precarização do trabalho do professor. Tema bastante pertinente pra mim, que fiz a dissertação também sob este parâmetro. Recentemente, enquanto organizava meus documentos, livros e rabiscos, encontrei um registro feito à caneta esferográfica azul, com minha letra miúda e desajustada e era justamente a respeito dessa palestra. Esqueci de colocar a data, então estou refém da minha memória... acredito que tenha sido no ano de 2015 ou início de 2016...
Fiquei pensando, analisando a leitura e me recordando das palavras que o professor Newton Duarte usou naquela manhã em uma palestra que eu ficaria horas, dias...
Tem coisas que acontecem e a gente mal percebe, quase nunca se dá conta de fato, mas são essas que nos enriquecerem na nossa ínfima condição de ser humano. Lembro que o professor palestrante falou sobre um monte de coisas que eu já sabia, outras que eu nem lembrava mais que sabia e mais algumas que me despertaram para coisas que não havia pensado ainda. Uma dessas me marcou profundamente e me fez pensar e analisar o andamento da minha vida...
Me recordo do professor Newton Duarte dizendo "na sociedade capitalista você trabalha pela sobrevivência, pela necessidade de adquirir o dinheiro que garante a sua subsistência. Na sociedade comunista você trabalha pela necessidade de de fazer aquilo que você precisa para atingir a sua plenitude enquanto ser humano". Essa foi uma das falas que estavam registrada no esboço que escrevi  no dia da palestra. E então, associei com alguns trechos de um livro que li recentemente do professor Mario Sérgio Cortella (Por que fazemos o que fazemos?), em algumas passagens do livro me delonguei um pouco mais, uma delas foi: "Temos de trabalhar! podemos fazê-lo para mera obtenção da sobrevivência ou também como um modo de marcar nossa presença no mundo". Que no final das contas se assemelha muito com a frase do Newton Duarte apesar de não deixar escancarado para o leitor a questão da luta de classes.
Então fico pensando... se eu não fosse professora, o que seria? o que me faz ter necessidade de me fazer atingir a minha plenitude como ser humano? será que apenas existo ou deixo a marca da minha presença no mundo?
Sim, eu amo a minha profissão. Sim, eu deveria ganhar mais. Sim, apesar de me reconhecer no que faço e de me sentir realizada com a docência, eu trabalho para sobreviver. E... não, eu não me sinto plena vivendo nesta sociedade e o problema não é o lugar onde estou ou o que faço, mas a forma como as coisas estão estabelecidas neste sistema econômico ao qual estamos invariavelmente submetidos.
O professor Newton Duarte disse que "o trabalhador não é sujeito da sua atividade, ele é instrumento da sua atividade de trabalho. No caso do professor isso se agrava de tal forma porque a depender do nível de alienação do professor, o produto final de seu trabalho poderá ter sua qualidade comprometida, o que não acontece em outras profissões, que independente do grau de alienação do trabalhador, o produto não terá interferências em sua qualidade".
No livro Por que fazemos o que fazemos? o professor Cortella diz que "Nós fazemos o trabalho, mas em certo sentido, ele também nos faz. Isso acontece na medida em que o trabalho ajuda a moldar as nossas habilidades e competências. As atividades que realizamos contribuem para formar a nossa identidade profissional".
E refletindo sobre o que estes mestres ensinam, eu percebo que se a nossa sociedade tivesse outros propósitos que não apenas o lucro a qualquer custo, talvez então eu não fosse somente professora... talvez eu fosse também escritora... imagine só: viver das palavras e não apenas do processo pedagógico de ensinar! Quando escrevo é quando me sinto plena, sem medos de errar ou de me arrepender. Porém, a plenitude do ato de escrever não anula nem diminui a plenitude do ato de ensinar. Gosto de me sentir plena nessas duas atividades. Porque ao escrever ensino melhor e ensinando tenho melhores condições de escrever e protagonizar a minha história.

sábado, 18 de novembro de 2017

resquícios de lembranças

Se passaram 4 meses desde a última vez que publiquei um texto neste espaço.
Eu ainda estava na casa dos 20...
Estava feliz e radiante com a minha profissão, estava confiante e esperançosa quanto ao que o futuro nos traria... e ele trouxe. Veio com tudo! Ele chegou, o futuro é agora. Enquanto escrevo (digito) estas palavras, passado e futuro se imbricam, se cruzam, se alinham e me desafiam...

Sempre que me vejo diante de situações que me causam desconforto emocional venho direto para este espaço e me lembro de uma frase da Clarice Lispector que diz bem assim: "a palavra é o meu domínio sobre o mundo".
Não sei o que virá amanhã, e a próxima semana pode mudar o rumo de toda uma história, de toda a minha história. Mas enquanto eu estiver aqui, enquanto estas palavras refletirem sobre passado e futuro, enquanto eu conseguir me lembrar de tudo o que já aconteceu e do que deixou marcas e cicatrizes  infestadas sob meu (in)consciente... então tudo estará dominado por mim. Eu sou soberana diante dessas palavras, que em muitos momentos, não passam de simples devaneios entre uma pilha de livros e de temas a serem estudados e desenvolvidos devido à profissão que escolhi seguir...

Esse texto não passa de uma mera condensação de resquícios de memórias alojadas no íntimo do meu ser... São só palavras... a maioria delas não faz o menor sentido pra você, não apresenta nenhum significado e nem vai te acrescentar algo de novo ou de importante pra sua vida (sinto muito por isso, me dói um pouco saber que você leu até aqui e já te aviso que não precisa mais seguir adiante com a leitura, estou sendo sincera, você perderá seu tempo se vier aqui para entender este texto). Mas é que neste momento estas palavras são tudo o que tenho: minha vida inteira está neste emaranhado desconexo de frases e lembranças escritas e por mais que não estejam estruturadas e organizadas numa sequência lógica, já disse outrora que minha lógica não faz o menor sentido no campo da realidade. E neste ponto eu me recordo de outra frase da Clarice que diz: "não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada". E nessa in(ter)venção de verdade(s) consigo olhar para trás e para frente ao mesmo tempo em que ambas as bifurcações se encontram no agora.

É isso: esses resquícios de lembranças do que passou e do que está por vir se fundem neste exato momento... e por mais que pareça estranho lembrar de algo que nunca aconteceu, não significa que nunca acontecerá. Agora é madrugada e eu só tenho uma certeza: amanhecerá... não sei se eu estarei viva quando isso acontecer. Agora que já estou na casa dos 30, qualquer dia a mais não é somente um dia a menos, mas também uma oportunidade a mais de fazer diferente, de construir novas recordações, novas lembranças, novos textos e novas reflexões, embora aquelas palavras de outrora , venham sempre acompanhadas com as de agora.

E eu, que sou fascinada pela genialidade do Humberto Gessinger desde os 16... me vejo hoje, cada vez mais entregue à sutileza e profundidade da Clarice Lispector, esta que pensei que jamais conseguiria entender, quando li A hora da estrela pela primeira, segunda e terceira vez seguida, aos 14... Como pode alguém escrever como ela escreveu? Como pode alguém compor belíssimas canções como HG fez/faz? Enquanto eu os contemplo através de suas obras, encerro com outra frase da CL: "escrever é prolongar o tempo, é dividi-lo em partículas de segundos, dando a cada uma delas uma vida insubstituível".
O que seria da minha vida sem estes momentos de devaneios, de construção de texto sem nenhum tipo de compromisso ou responsabilidade com as normas técnicas da escrita padrão? Haveria um vazio... na verdade, pra ser sincera, ainda há, mas este vazio está sendo preenchido agora com os resquícios de lembranças que ora se perdem e ora se conectam em minha memória e dão vida à este texto. Agora sim,  posso voltar tranquila para os meus afazeres, a alma está aliviada porque este texto nasceu e em breve se tornará apenas um vestígio da lembrança do que vivi hoje.


segunda-feira, 24 de julho de 2017

O primeiro discurso como paraninfa


Eu sempre quis trabalhar no ensino superior.

Saí do interior da Bahia e fui para o Espírito Santo a fim de cursar o mestrado.

Dois meses após defender a dissertação eu estava pronta para voltar para a Bahia, foi quando surgiu a oportunidade de trabalhar na Faculdade do Futuro. 

No dia dois de fevereiro de 2016 assumi minha primeira turma do ensino superior. 

A disciplina era Práticas Pedagógicas IV, com enfoque nas abordagens de ensino da Educação Física escolar e os conteúdos do lazer na escola e eles estavam no quinto período do curso de Educação Física.

Lembro que no primeiro dia de aula me chamaram de irmã de uma das alunas da turma, porque, assim como eu, ela é baixinha, loira e dos olhos claros. Que sorte a dela se parecer comigo (ou seria o contrário?) rsrsrs

Lembro também que levei um bom tempo para aprender a falar o nome de alguns dos alunos da turma (eu achava que só tinha dificuldades com números, mas tenho dificuldades com nomes também!) rsrsrs

No segundo semestre daquele mesmo ano, além de trabalhar com as práticas pedagógicas estudamos juntos a disciplina Educação Física Inclusiva e novas experiências surgiram, dentre elas o Projeto Crianças de Ouro, elaborado pelos próprios alunos (a turma A se responsabilizou pelo projeto, mas foi lindo de ver o apoio da turma B neste processo), foi um marco para toda a turma e motivo de muito orgulho para mim. 

Depois vieram as defesas de Trabalho de Conclusão de Curso, e eu tive a oportunidade de acompanhar de perto muito do que produziram. Sei que valeu a pena todo esforço e dedicação de todos eles, trabalhando em grupo e alguns até mesmo individualmente, conseguiram superar o medo do TCC.

Agora, olhando para cada um desses rostos, percebo que em um ano eles evoluíram, amadureceram e fizeram a melhor escolha de suas vidas: escolheram a Educação Física como carreira profissional. 

Diante da conjuntura nacional e do próprio status social, optar por este curso é um ato de amor. 
Amor às pessoas, à cultura, à humanidade e a nós próprios.

Tudo o que desejo para esta turma é que seja tão realizada nessa profissão quanto eu fui sendo professora deles. 
Que tenham alunos como os alunos que eles foram e que jamais percam a fé na educação porque esse é o nosso maior legado para o mundo.

Portanto, se eu puder deixar um último conselho para a turma é que pensem em cada um de seus futuros alunos como mundos diferentes. Quando a gente é jovem a gente quer mudar o mudo, então, que a gente comece mudando o mundo dos nossos alunos: garantindo que tenham acesso às práticas corporais e à cultura corporal de movimento. Se a gente conseguir melhorar a vida de uma pessoa, se a gente conseguir mudar o mundo de dos nossos alunos, nossa missão já terá sido cumprida. 

Obrigada por terem sido a minha primeira turma do ensino superior, vocês são a concretização de um sonho para mim. Vou levar todos comigo em meu coração.

Lembrar-me-ei de cada um  com carinho e saudade.

Que Deus os abençoe.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Aluna-Anjo-Amiga


Danny é aquela aluna que todo professor gostaria de ter:
é dedicada, esforçada e foi a única que certa vez veio até mim para agradecer pela aula. Embora eu não tenha feito mais do que a minha obrigação e meu trabalho. Mas, mesmo assim, ela agradeceu.
Clarice Lispector disse no livro A Hora da estrela (meu preferido) "Ela acredita em anjos e, porque acreditava, eles existiam". Danny é a demonstração de que anjos existem. E eu, que nunca quis ser mãe, porque todo o carinho que recebia dos meus alunos supriam todas as minhas necessidades, continuo pensando que se Deus continuar colocando em meu caminho alunos que são mais que alunos, são como anjos em minha vida, aí então que vou ignorar o peso da minha idade biológica e seguir me dedicando exclusivamente ao desenvolvimento e evolução dos meus alunos.  
É um prazer enorme acompanhar o dia a dia, os conflitos, as ideias e decisões, escolhas e consequências dela... Me sinto mãe, irmã, amiga, tudo na mesma pessoa Ela é aquela aluna que faz valer a pena a profissão de professor: ela agradece pelas aulas (quando realmente são significativas), questiona sem jamais ser desrespeitosa, gruda na gente até na hora do intervalo para poder tirar dúvidas e dizer o quanto tem aprendido (eu amo esse grude, eu era exatamente assim com meus professores), marca horário no sábado de manhã para aprender a escrever trabalhos científicos (que são aprovados em congressos internacionais, e mesmo que a gente não consiga viajar até o outro lado do Atlântico, me sinto feliz e orgulhosa de tê-la como aluna) e depois marca um açaí no domingo à tarde porque ninguém é de ferro. 
Eu olho pra ela e me vejo. Eu era exatamente esse tipo de aluna: vivia grudada nos meus professores, perguntando o que eu deveria fazer para ser melhor do que fui ontem e fazia planos e trabalhos com o máximo de dedicação possível, na esperança de que eles ficassem orgulhosos de mim.
Mas tem um detalhe: ela tem consciência disso desde o início do curso. Eu só me tornei assim da metade pro fim... 
Então hoje eu penso: se eu cheguei até aqui, ela tem condições de ir ainda mais longe!!! Lembro de quando o professor Pimentel me dizia que a gente só cumpre a nossa missão quando nossos alunos estão melhores que nós. Tenho certeza que Danny vai voar alto, não por minha causa, mas pela dedicação e pelo esforço que ela tem. Eu não poderia admirá-la mais. E hoje eu sou só felicidade porque além de eu ser a professora dela ainda tenho a sua amizade. Que ela continue sendo sempre assim: esse exemplo de aluna, filha, amiga, ser humano!!! Com todo amor de professora, amiga e anjo que há em meu ♡



sexta-feira, 26 de maio de 2017

Profissão: professora

De vez em quando eu me pego pensando no que me trouxe até aqui...

Quando eu estava cursando o quarto semestre de Licenciatura em Educação Física na UESB, lá no longínquo ano 2010 (na minha mente, é como se fosse ontem), eu queria abraçar o mundo com esses meus braços curtos e frágeis: eu fazia disciplina com a minha turma, com a turma do meu irmão (meus veteranos) e com a turma dos meus calouros; eu fazia estágio na Secretaria Municipal de Esporte e Lazer de Jequié, me dedicava ao projeto de extensão Vivenciando o Meio Aquático, no qual ministrava aula de natação para crianças e adolescentes das escolas públicas da região, recebendo um bolsa que mal dava para fazer a feira do mês e, mesmo assim, aos domingos, ainda participava do Projeto SoLazer, voluntariamente.
Ah! E claro, os trabalhos científicos e acadêmicos que eu comecei a apresentar nos congressos da área a partir daquele ano.

Não me pergunte como eu consegui dar conta de tudo isso. Às vezes nem eu mesma acredito que fiz esse tanto de coisa. Mas tudo valia o sacrifício no momento em que o professor Frank Nei me chamava de "professora". E eu na minha ingenuidade e descrença em mim mesma o questionava: "Mas, professor, ainda nem me formei, como o senhor pode me chamar de professora?". Ele, sabiamente respondia: "Todos nós somos professores em formação. Alguns, como eu, já têm o diploma. Outros, como você, é só uma questão de tempo para conseguir esse papel. Mas para além dele, você já é uma professora".

Eu era feliz apesar de todas as dificuldades, apesar de todas as privações, apesar de toda a correria, apesar de ainda não ter um diploma e uma conta bancária tão minguada como a gatinha que tinha encontrado na rua e a adotado dois anos antes.

E então aqui estou pensando na minha profissão e no quão realizada me sinto ao ver que meus alunos estão evoluindo mais do que eu evoluí quando estava no mesmo período do curso. E a culpa não foi dos meus professores. Eu só me interessei pela Educação Física após ser aprovada na seleção para bolsista de extensão do projeto Vivenciando o meio aquático, cujo responsável foi o professor Frank Nei. Aquele mesmo que sempre me chamava de professora, como se já fossemos colegas de profissão. E éramos, mas eu não tinha nenhuma noção disso ainda.

Eu não poderia estar mais feliz e realizada em outra profissão.
Hoje sou a professora mais feliz do mundo.
Obrigada, Deus, pela oportunidade de ser a professora deles... Meu maior objetivo no mundo é ser para meus alunos o que o professor Frank Nei foi e é pra mim!
Obrigada professor, por acreditar em mim, quando eu já tinha pensado mil vezes em desistir...
Cheguei até aqui também por causa de ti. Muito obrigada por ser a minha inspiração, tenha certeza que através de mim és também a inspiração dos meus alunos.



domingo, 23 de abril de 2017

aqui e ali

Então tá: olha eu aqui de novo!
nem parece que sinto falta desse espaço.
Mas sinto.


Tem dias que os dias bem que poderiam ter pelo menos umas 30 horas ao invés das frenéticas 24...
Eu realmente queria ter mais tempo para escrever sobre tudo o que passa aqui dentro.
Porém, já que o tempo de escrever é escasso, eu aproveito para ler, quando posso, é claro. Porque na maior parte do tempo estou planejando aulas, cumprindo as tarefas diárias da profissão de professor, lendo artigos e corrigindo provas e trabalhos que nunca terminam. Ser professora era mesmo tudo o que eu realmente queria, tudo que eu sempre quis. Mas tem dias que eu não vivo para poder viver a docência...
Como diria a canção que não é do Gessinger, mas é do Anitelli: "me mato pra não morrer".

Eu olho para trás, observo minha formação inicial. Eu era só uma caloura assustada achando que o único caminho a seguir seria a academia de ginástica e o ensino básico. Jamais imaginaria que eu chegaria até aqui, e ainda quero mais, quero muito mais, esse é só o início da minha carreira e embora eu já me sinta cansada, eu quero mais. 

Me pego às vezes fazendo exatamente tudo o que condenei em alguns professores da minha graduação. E eu prometi que seria o oposto deles, prometi que eu seria eu mesma, com toda essa humanidade correndo em minhas veias, com todo amor que Paulo Freire acreditava que os professores deveriam ter. Mas o conflito existe. As exigências do mundo do trabalho são imensuráveis e ainda querem por fim à nossa aposentadoria. Pra completar: me sinto feliz ao detectar novas linhas de expressão em meu rosto. Os 30 estão chegando com toda força, e as costas doem, os pés não suportam mais ficar tanto tempo em cima de sapatos de salto alto... 

A vida tem sido uma correria. Mas não tenho do que reclamar: meus pais estão vivos e com saúde, meu irmão em breve se tornará doutor, o primeiro doutor da família, e ele só tem 27 ainda...

E eu... eu sou professora universitária. Um misto de Leo, Cris e Pimenta; Zel, Bracht e Caparroz; Lino, Suraya e Freire; Marx, Gramsci e Adorno; Gessinger, Anitelli e Lispector.



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Contradição (Contra a adição)

Acordei me sentindo atropelada por um caminhão. E olha que eu nunca fui atropelada sequer por uma bicicleta...
Deve ser a idade chegando: as costas doem, as pernas falham, e o cansaço bate com força. Será que é normal estar prestes a completar 30, mas já se sentir como se tivesse 80?
Fiz o desjejum seguindo a dieta rigorosamente, já que ontem à noite, em plena terça-feira, desejei com todas as forças da minha alma comer aquele hambúrguer artesanal. Sendo que o nome artesanal não diminui consideravelmente as calorias dessa iguaria em comparação aos produzidos pelas grandes redes de fast food. Fico pensando: desejo quem tem é grávida. O que eu tenho é outra coisa: falta de vergonha na cara por me permitir comer hambúrguer assim, no meio da semana, após a hora  de trabalho. Como se comer fosse um lazer...
E então, liguei esta máquina, que já é uma extensão melhorada do meu cérebro. E entre planos de aula, artigos científicos, textos acadêmicos, organização de documentos, músicas latinas e e-mails que se multiplicam não resisti à mais uma tentação: acessei o site da livraria Cultura, o qual acompanho desde que comprei os livros referências para a minha dissertação de mestrado. Dessa vez, acessei na expectativa de encontrar algum clássico da literatura com descontos acessíveis.
Todo mundo sabe que sou apaixonada por Clarice Lispector e José Saramago. E sempre gostei também do Fernando Pessoa. Então, não poderia simplesmente deixá-los fora da minha estante. Sim, não estou só fraquejando em me manter firme na dieta, estou falhando também em economizar o máximo possível para poder viajar para todos os lugares que pretendo este ano.
Como é difícil fazer escolhas: ser magra ou ser feliz? economizar para viajar ou gastar as economias com livros? mudar ou seguir?
Não consigo me entender: aos 22 eu não sabia o que fazer da vida.
Aos 29 sei tanto o que quero da vida que quero fazer tudo de uma vez só.
Enquanto isso vou vivendo... esperando ansiosa pela chegada dos livros, ansiosa pelas viagens que se aproximam, ansiosa para desfrutar de novo da felicidade que sinto toda fez que como aquele hambúrguer artesanal =D

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

De volta (de novo!)

O ano de 2016 foi bem tenso.
Prova disso foram os somente 11 textos que escrevi para o blog.
Menos de 1 por mês...

Eu sei que isso não é desculpa para me ausentar desse espaço.
Mas é que eu estava vivendo e por mais que antes de dormir eu pensasse em meus textos, no dia seguinte sempre tinha alguma coisa para fazer e eu simplesmente deixava para escrever depois. Enfim, o depois chegou após 4 meses...

Mas li muito, pra ser mais exata, foram 26 obras literárias, que me fizeram em muitos momentos esquecer e superar as dificuldades cotidianas que nos surgem sem que percebamos.
Tem gente que pensa que eu leio por prazer ou hobby, como uma forma de me divertir.
Enganam-se.

 Leio pra suportar a vida.

O mesmo eu poderia dizer em relação à escrita.
Mas escrever exige mais de mim... Quando eu leio os textos já estão prontos. As situações estão dadas, mesmo que eu as tenha que imaginar. Mas o esforço é mínimo. Por isso, jamais me importo de passar um final de semana em casa apenas lendo ou vendo filme, porque não há esforço nenhum em ambas atividades para mim.
E por falar em filme... em 2016 vi muitos, impossível contabilizá-los. Mas teve aquele mais marcante como o da menina que se apaixonou pelo carinha que cometeu eutanásia. Eu que sempre fui a favor dessa prática, me vi em conflito, diante da morte eminente, mas romântica que sou, esperei até a última cena do filme que ele desistisse da eutanásia por amor à ela, à eles...

A vida é mesmo uma caixinha de surpresa como me disse May há mais de uma década, quando eu estava me preparando para morar fora de casa pela primeira vez... gostei tanto disso que vim parar em outro estado, na verdade, em dois estados, que não são o meu de origem.
Sou mesmo uma andarilha, não me aguento ficar em um lugar só, eu sempre acho que sou  do mundo, eu sempre acho que em qualquer lugar vou me encaixar, mesmo que no final das contas seja nos braços dos meus pais que eu me sinta realmente em casa. Deve ser porque lar é onde o nosso coroação está.
Tem muita gente que tem casa, mas são poucas pessoas que possuem um lar.
E olha pra mim: mesmo longe, tenho um lar. E por esse lar vale a pena todos os sacrifícios que vivi no ano que passou.

Não vou pedir desculpas pelas minhas divagações... demorei tanto para escrever que veio tudo de uma só vez e os textos que estavam todos organizados em minha mente, estão saltando aos montes, querendo ser concretizados de uma vez só, independentemente do que se tratem. Quando se pensa sobre o que se fez, sobre o ano que passou e sobre o que nos espera, já estamos no segundo mês no ano novo, é muita coisa pra ser abordado. Eu juro que os textos estavam organizados com temáticas bem delimitadas, não estavam essa confusão que ficou.
Mas se você não gostou, eu sinto muito.
É assim que me sinto quando penso em como foi 2016...

Entretanto, eu seria injusta se afirmasse que o ano que passou foi um desastre total, como está ficando esse texto. Meus inimigos estão no poder, mas eu acordei lida hoje e recomeço a trabalhar depois de umas férias maravilhosas. Olha que coisa linda: este mês eu completo 1 ano (meu primeiro como professora no ensino superior) de trabalho, eis que meu sonho se concretizou. E eu só tenho que agradecer por essa realização, que me trouxe as amizades de alunas a quem eu chamo de alunas-amigas-anjo do tanto que são especiais pra mim.


E, como eu não sou a reencarnação de Jesus Cristo, nem da Madre Tereza de Calcutá (graças à Deus) tenho a total convicção de que não vou salvar o mundo, e nem ambiciono agradar a todos (nem Cristo conseguiu!). Porém, fazer parte da vida delas, acompanhar o desenvolvimento e poder contribuir com o crescimento acadêmico e profissional das minhas alunas-anjos foi a melhor coisa que me aconteceu em 2016. E eu serei eternamente grata à Deus por elas.
Todo mundo que me conhece sabe que não quero ter filhos.
Meus alunos me bastam. Eles já são os filhos que eu não terei.


Finalizo afirmando que pretendo voltar a escrever como antes... Mesmo que meus textos não sejam lidos, é bom saber que eles existem. Às vezes, inclusive, contra a minha própria vontade. Se eu não fosse professora seria escritora. Mas, de onde eu vim, todo bom professor escreve. Ainda não sou boa quanto gostaria, mas meus textos estão de volta (de novo!). Pode reclamar à vontade. Esse ano eu completo 30 e eu não tô a fim de agradar à ninguém desde aquele fevereiro de 200?









quarta-feira, 30 de novembro de 2016

parte IV

Ana estava radiante: nos últimos três anos de sua vida conseguiu realizar todos os trabalhos voluntários que sempre quis. Isso fez com que ela conhecesse vários lugares de seu país e de outros recantos do planeta, sem precisar gastar muito para isso. Além, é claro, de ter tido a oportunidade de conhecer muitas pessoas de diferentes credos, etnias e concepções de mundo. Ela se sentia finalmente realizada. Deixou de acumular riquezas para acumular sorrisos e paisagens. E em meio a tudo isso, se apaixonou de novo. Finalmente a imagem daquele moço de olhos claros e sorriso largo e tudo o que viveram juntos na sua primeira viagem internacional ficou num passado remoto, que habitava apenas as profundezas do seu subconsciente. Agora, Ana tinha encontrado um cara com os mesmos propósitos de vida que ela, com as mesmas perspectivas e vibrando numa mesma sintonia. Se existisse alma gêmea eles seriam a prova concreta de que pertenciam à mesma essência espiritual. Muitas vezes atuaram juntos nos trabalhos voluntários, pensavam em adotar filhos e bichos, morar num lugar tranquilo e sereno como o olhar dela... Os planos já estavam sendo direcionados para a vida a dois, ou três, quatro, cinco, ou quantos seres vivos quisessem viver por perto, no que em breve chamariam de lar. Estavam de acordo que seria bem longe da agitação dos grandes centros urbanos e toda a loucura pela conquista do capital financeiro.

Enquanto isso, do outro lado do planeta, após três casamentos fracassados, e com os negócios arruinados, aquele moço de olhos claros e sorriso largo, já não tinha mais brilho no olhar e nem tampouco um sorriso no rosto. Triste, falido e desesperançoso com a vida, ele lembrou do quanto foi feliz ao lado de Ana, Mas, não fazia a mínima noção de onde poderia encontrá-la. O desejo de vê-la mais uma vez na vida fez com que se re energizasse. Dessa vez, não iria postergar mais essa decisão. iria ao encontro dela nem que para isso tivesse que atravessar um oceano, ou a cordilheira do Himalaia. Ele precisava reencontrá-la, como precisava de ar para respirar. Vasculhou todos os seus e-mails numa procura insana de qualquer tipo de vestígio que Ana pudesse ter deixado naquele passado que viveram juntos. Lembrou-se que ela era enfermeira e tinha sonhos de realizar trabalhos voluntários em vários lugares do mundo. Fez buscas na internet por programas que acionavam voluntários da área da saúde, mas tudo foi em vão. Ele não conseguiu nenhum tipo de informação que o levasse até ela. No final daquele dia cansativo, exaustivo e praticamente improdutivo, o moço de olhos claros e sorriso largo chegou a duas conclusões: ou sua vida continuaria sendo inútil como tivera sido nos últimos três anos, ou ele seguiria os passos de Ana, numa vã tentativa de algum dia poder encontrá-la por acaso. Resolveu seguir essa ilusão. Se cadastrou em um dos programas de voluntariado mundo afora e embora fosse um cara mais voltado aos negócios, dedicaria sua vida a tornar outras vidas melhores, já que a sua já não tinha nenhum tipo de valor para ele próprio. Sem a possibilidade de reencontrar Ana e sem qualquer perspectiva de felicidade, sem dinheiro e sem nenhum tipo de noção do que fazer, ele resolveu seguir rumo ao mundo desconhecido que o esperava.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Sobre o luto pela democracia brasileira

Sempre gostei de história. Durante toda a minha escolarização, esta foi uma das minhas disciplinas prediletas, junto com geografia, literatura e redação.
Mas, especialmente hoje, me sinto aliviada por não ser professora de História. Para não precisar explicar aos meus alunos, num futuro não muito distante sobre o que aconteceu neste 31 de agosto de 2016 em nosso país.
É sabido que sou oriunda da classe operária: minha avó, com descendência indígena, era analfabeta e lavava roupa em casa de muita gente pra poder receber uns trocados e conseguir alimentar os sete filhos, dentre eles, minha mãe, ainda garotinha. Naquela época, não existiam nenhum desses projetos sociais que surgiram no país a partir do governo Lula e que Dilma deu continuação. Nos 14 anos de governo petista muita coisa no Brasil mudou e para melhor. O resultado? Embora minha avó não estivesse mais nesse mundo para conferir de perto, de onde ela estiver, deve estar satisfeita, pois todos os seus sete filhos completou, pelo menos o ensino médio, alguns como minha mãe, já possui especialização. Dos netos, pelo menos oito deles já passaram ou estão cursando o ensino superior, Um deles (meu irmão) já está fazendo o doutorado, tenho primas que fizeram intercâmbio na Europa, através do programa Ciência sem fronteira, o qual já tem data marcada para deixar de existir.
Hoje, relembrando o texto que escrevi naquela segunda-feira, dia 18 de abril de 2016, que apesar de ensolarada, me pareceu tão obscura, o título cabe bem pra hoje: "depois de ontem" assim mesmo, com iniciais minúsculas. Depois de ontem, é hoje... e hoje a presidente Dilma Rousseff  foi impedida de continuar seu mandato. Essa mesma que recebeu um voto meu naquele 31 de outubro de 2010 e que eu só não o repeti em 2014 por causa da Luciana Genro, minha escolhida naquele momento. Lembro até que fiz um post neste espaço para externalizar meu sentimento de orgulho por ser uma das eleitoras dela aqui
No entanto, hoje Dilma Rousseff sofreu impeachment e será afastada definitivamente da presidência a partir de hoje e eu vejo pela televisão e pelas redes sociais Michel Temer assumir a presidência e penso: foi tudo em vão. O hino nacional toca, em seguida, o novo presidente assume o poder e não me sinto orgulhosa do meu país, do rumo que estamos tomando e penso em como devem estar se sentindo os professores de história, eles terão que explicar aos seus alunos que uma presidente eleita legitimamente foi impedida de continuar com seu governo e em seu lugar ficou um cara que, eu sei, era o vice dela, acabou sendo eleito também, mas que representa apenas a elite do país, não o povo em sua totalidade, ou seja, com suas minorias sociais.
Triste não apenas pelos professores de História. Triste também por todos nós. Eu por exemplo, ainda não entendo o porquê de Dilma sofrer impeachment mas continuar elegível, pra mim, tudo isso trata-se de um grande golpe. E, pra todos aquelas que achavam que a corrupção no país só existia por conta do PT, eu digo só uma coisa: o que era ruim pode sempre piorar... e piorar. E piorar mesmo. Ainda bem que vovó não está mais aqui para ver esse retrocesso.
Então penso na canção de Humberto Gessinger:
Em livros de histórias seremos a memória dos dias que virão...
Se é que eles virão.


Apesar de vocês Golpistas, a luta não parará. A luta continuará constante e contínua.
"A nossa rebeldia é o povo no poder."
Pátria livre, venceremos!!! (Cleidi Ozório)

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

realização

Sim.
Estou no caminho certo. Agora eu sei.
Quando comecei a escrever neste espaço - no já longínquo ano 2009 - estava cheia de dúvidas, incertezas, conflitos e confusões, eu tinha 22 anos e não sabia nada do que queria da vida...
Hoje não mais.
Aos 29 anos e 29 dias, acordei com a certeza que este é o caminho que eu quero seguir, que esta é a vida que eu sempre quis.

Primeiramente, #foraTemer

Não tenho filhos. Não tenho que me preocupar em alimentar, vestir, educar, cuidar, criar outro ser humano, além de mim mesma. Tenho consciência de que sou livre. Sou dona absoluta de mim. Sou completamente livre para ir e vir, sem me preocupar em estabelecer horários para amamentar. Sou tão livre que se eu morrer hoje não deixarei rastros (nem filhos, nem posses, nenhum tipo de herança genética ou financeira). Ninguém dependerá de mim para viver. Ninguém achará que a vida é insuportável se isso acontecer. Sou tão livre que posso pensar em viajar para qualquer lugar do mundo sem me preocupar se farei falta para outro alguém, sem me preocupar em sustentar outra pessoa, sem de nenhuma forma me preocupar. Eu simplesmente irei, com saudades, é verdade, mas sem nenhum tipo de remorso ou culpa.

Além disso, tenho o emprego que eu sempre almejei.
Sou completamente realizada com o exercício da docência. Não trabalho em hospital, não trabalho em canteiro de obras, nem em escritórios fechados e hostis.
Meus olhos se enchem de lágrimas ao pensar que estou contribuindo com a formação acadêmica e pessoal dos meus alunos, passando valores que os melhores professores que eu tive me passaram... Não gostaria de fazer outra coisa na vida que não fosse ensinar. Que bom que eu não me rendi ao status social dominante para fazer Direito.

Sou grata à Educação Física por me salvar de ter uma vida enfadonha, monocíclica e por vezes, estressante. Não quero dizer com isso que ser professora de Educação Física não me deixe estressada em alguns momentos. Mas de fato, essa profissão é extasiante, é dinâmica, é emocionante e eu não a trocaria por nenhum - eu disse nenhum - dinheiro do mundo. Até porque a sociedade que eu vislumbro não está focada em quanto você ganha por ano, mas sim, no quanto de felicidade que a sua profissão proporciona a você e a outras pessoas neste período. Mas, se você acredita que o mais importante é o dinheiro, fica tranquilo, eu não vou te julgar, até porque eu amo receber dinheiro, e penso, inclusive, que eu deveria ganhar mais na minha profissão. Entretanto, não é isso o que me move, não é isso que me faz acordar de manhã com as esperanças renovadas e... nenhum dinheiro do mundo vale mais que chegar em casa do trabalho - cansada, porém realizada - e ler uma mensagem de uma aluna, agradecendo pela aula daquele dia.

Não tenho nenhum tipo de inveja de qualquer mulher casada, mãe e com a vida perfeita, com carro, casa e closet separado para roupas e sapatos... Vocês, minhas queridas, podem - e devem - ser felizes e realizadas com a perfeição que vivem, e eu fico feliz que vocês vivam assim, porque é a vida que escolheram. Mas não é, pelo menos, neste momento, o que quero para mim.

Gosto da minha liberdade, da minha vida agitada, de pegar a estrada toda semana. Gosto de só me preocupar em pedalar e não em dirigir, apesar de começar a sentir falta da carteira de habilitação. Gosto da minha bagunça de roupas e sapatos, embora meus livros estejam sempre muito bem organizados. Gosto de não ter filhos, eu já disse isso, mas adoro reforçar. Gosto de ter o nome que os meus pais me deram e não o sobrenome de outra pessoa, indicando que sou casada, apesar de às vezes querer usar uma aliança no dedo anelar esquerdo, só pra indicar que apesar de não ser casada, também não sou solteira, Gosto de ser quem sou, gosto que me chamem de professora, gosto que me questionem, que me confrontem, mas que me respeitem, como respeito - gentileza gera gentileza - gosto de não seguir nenhuma religião, gosto de tudo que eu sou e de tudo o que me tornei. Enfim, gosto do que estou vivendo, me sinto completamente realizada e embora ainda queira, para um futuro não muito distante, ter um cantinho para criar raízes, este momento eu não trocaria por nada.

Gratidão à vida, aos deuses, ao universo, à minha loucura. 

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Parte III

Ana caminhava lentamente pelas ruas movimentas daquela grande cidade. Enquanto os carros apressados passavam por ela, deixando um rastro de poeira no ar, Ana simplesmente estava absorta em seus pensamentos, organizando e planejando mentalmente todas as coisas que ainda precisava realizar naquele dia, e entre tantas tarefas e compromissos, por alguns instantes, desejou estar em outro lugar, estar realizando outras tarefas... e, de preferência ao lado daquele moço de olhos claros e sorriso largo. Então, ela se deu conta de que aquela não era a vida que esperava há cinco anos...

Do outro lado do oceano, em outro continente, aquele moço de sorriso fácil, deitado em sua confortável cama, sentia-se o cara mais realizado do mundo. Tinha tudo o que queria. Não precisava se preocupar com nada, nenhum problema o incomodava. Mesmo assim, de vez em quando, se pegava pensando em Ana e no quanto ainda desejava encontrá-la novamente. Sentia uma pontada de revolta ao lembrar do quão egoísta fora por não insistir para que ela ficasse. Mas, se deu conta de que Ana era do mundo. Do mundo dela. E ele, mesmo com aquele sorriso largo, e seus brilhantes olhos claros, jamais a convenceria do contrário, caso ela não quisesse. Se imaginou casado com Ana, num lugar calmo e sereno como o olhar dela. De todas as moças com quem ele se relacionou na vida - e não foram poucas - somente Ana conseguiu chegar às profundezas de sua alma. No dia em que se conheceram, no voo rumo à terra dele, ela simplesmente o fizera se sentir o cara mais incrível, que ele não era. E depois, tudo o que viveram juntos por quase dois anos, foi tão maravilhoso... O que o fez perdê-la? É como se ela tivesse evaporado junto com o orvalho daquela manhã, mais quente que o normal para esta época do ano. Num rompante de realidade e fantasia decidiu abdicar de todo aquele conforto. Estava obstinado a encontra-la. Mas, pode onde começar? Por alguns instantes se convenceu de que ela era a missão da sua vida. Então virou-se para o lado oposto da cama e dormiu profundamente.

fórmula da vida

. Já disse: não sou só.
Sim, eu reconheço o princípio da individualidade. Mas, esse é só um detalhe.
O principal é que eu sou um resultado, uma junção de variedades. E a primeira dentre todas essas variáveis é ser filha de quem eu sou:
tenho os olhos do meu pai, o mesmo gênio dele, a mesma ansiedade e preocupação.
Mas é nela em quem me espelho. Ela é tudo o que eu almejo, e sei que jamais conseguirei alcançar porque ela, para mim, é sinônimo de perfeição.
Então a minha busca é continua...
Ela tem uma serenidade no olhar tão profunda que acalma minha alma, mesmo nos dias mais estressantes e confusos.
Tem um jeito todo especial de me chamar a atenção.
Ela conhece cada cantinho da casa e do meu coração.
E eu, que tenho muito mais características físicas e psicológicas do meu pai, confesso abestalhada que a minha mãe é a minha grande e inalcançável inspiração.
Sou o resultado da criação deles. Mas acima de tudo, sou a procura pela calmaria dela...

quarta-feira, 11 de maio de 2016

qual o projeto para amanhã?

Entre os estudos de Inglês e Espanhol, leitura de livros e artigos científicos, planejamento de aulas e acompanhamento da atual conjuntura política do país, emerge das profundezas do livro que estou lendo a seguinte reflexão: "Tanto quanto o ar e os alimentos são imprescindíveis para a manutenção da vida em sentido biológico, os projetos o são para a existência de uma vida plena, em sentido humano. Continuamente, os projetos nos alimentam, nos impulsionam para a frente, nos mantêm vivos. As utopias constituem inspirações para projetos, contribuindo para uma articulação fecunda entre aspirações individuais e coletivas". (Nílson José machado - Cidadania e Educação - 2002).
Falar em projetos como o autor citado acima fez me provocou uma ânsia de amanhã, ânsia de mudança, ânsia de resgate daquela jovem que saiu do interior, viveu na capital e agora retorna ao interior pra tentar conseguir mais do que capital financeiro. Penso em tudo que me trouxe até aqui e quais são os projetos para o futuro? Me parece que mesmo com todas as dificuldades em torno da realidade cotidiana que alimentar o corpo é menos difícil que alimentar a alma. Então, escuto uma música que me toca o coração só pra tentar me reinventar enquanto humana utópica. Em essência é a utopia de um mundo melhor que me faz acordar com esperança e ter dificuldade em dormir porque ainda falta muita coisa para conquistar, melhorar, enfrentar...
E amanhã? Qual é o projeto que nos mobilizará? O que nos vai impulsionar?
estou acompanhando as notícias pela tv, pelas redes sociais e coloquei a música para repetir. A lição de inglês e espanhol eu já conclui. Mas e os projetos para o futuro, como eles ficaram? Como ficarão? Tenho que alinhavá-los, confeccioná-los. Mas eu não estou solta no mundo, não sou uma ilha deserta. Se você estiver comigo então os projetos podem se fortalecer. Mas eu, sozinha, só sei sobreviver.