sexta-feira, 7 de julho de 2017

Aluna-Anjo-Amiga


Danny é aquela aluna que todo professor gostaria de ter:
é dedicada, esforçada e foi a única que certa vez veio até mim para agradecer pela aula. Embora eu não tenha feito mais do que a minha obrigação e meu trabalho. Mas, mesmo assim, ela agradeceu.
Clarice Lispector disse no livro A Hora da estrela (meu preferido) "Ela acredita em anjos e, porque acreditava, eles existiam". Danny é a demonstração de que anjos existem. E eu, que nunca quis ser mãe, porque todo o carinho que recebia dos meus alunos supriam todas as minhas necessidades, continuo pensando que se Deus continuar colocando em meu caminho alunos que são mais que alunos, são como anjos em minha vida, aí então que vou ignorar o peso da minha idade biológica e seguir me dedicando exclusivamente ao desenvolvimento e evolução dos meus alunos.  
É um prazer enorme acompanhar o dia a dia, os conflitos, as ideias e decisões, escolhas e consequências dela... Me sinto mãe, irmã, amiga, tudo na mesma pessoa Ela é aquela aluna que faz valer a pena a profissão de professor: ela agradece pelas aulas (quando realmente são significativas), questiona sem jamais ser desrespeitosa, gruda na gente até na hora do intervalo para poder tirar dúvidas e dizer o quanto tem aprendido (eu amo esse grude, eu era exatamente assim com meus professores), marca horário no sábado de manhã para aprender a escrever trabalhos científicos (que são aprovados em congressos internacionais, e mesmo que a gente não consiga viajar até o outro lado do Atlântico, me sinto feliz e orgulhosa de tê-la como aluna) e depois marca um açaí no domingo à tarde porque ninguém é de ferro. 
Eu olho pra ela e me vejo. Eu era exatamente esse tipo de aluna: vivia grudada nos meus professores, perguntando o que eu deveria fazer para ser melhor do que fui ontem e fazia planos e trabalhos com o máximo de dedicação possível, na esperança de que eles ficassem orgulhosos de mim.
Mas tem um detalhe: ela tem consciência disso desde o início do curso. Eu só me tornei assim da metade pro fim... 
Então hoje eu penso: se eu cheguei até aqui, ela tem condições de ir ainda mais longe!!! Lembro de quando o professor Pimentel me dizia que a gente só cumpre a nossa missão quando nossos alunos estão melhores que nós. Tenho certeza que Danny vai voar alto, não por minha causa, mas pela dedicação e pelo esforço que ela tem. Eu não poderia admirá-la mais. E hoje eu sou só felicidade porque além de eu ser a professora dela ainda tenho a sua amizade. Que ela continue sendo sempre assim: esse exemplo de aluna, filha, amiga, ser humano!!! Com todo amor de professora, amiga e anjo que há em meu ♡



sexta-feira, 26 de maio de 2017

Profissão: professora

De vez em quando eu me pego pensando no que me trouxe até aqui...

Quando eu estava cursando o quarto semestre de Licenciatura em Educação Física na UESB, lá no longínquo ano 2010 (na minha mente, é como se fosse ontem), eu queria abraçar o mundo com esses meus braços curtos e frágeis: eu fazia disciplina com a minha turma, com a turma do meu irmão (meus veteranos) e com a turma dos meus calouros; eu fazia estágio na Secretaria Municipal de Esporte e Lazer de Jequié, me dedicava ao projeto de extensão Vivenciando o Meio Aquático, no qual ministrava aula de natação para crianças e adolescentes das escolas públicas da região, recebendo um bolsa que mal dava para fazer a feira do mês e, mesmo assim, aos domingos, ainda participava do Projeto SoLazer, voluntariamente.
Ah! E claro, os trabalhos científicos e acadêmicos que eu comecei a apresentar nos congressos da área a partir daquele ano.

Não me pergunte como eu consegui dar conta de tudo isso. Às vezes nem eu mesma acredito que fiz esse tanto de coisa. Mas tudo valia o sacrifício no momento em que o professor Frank Nei me chamava de "professora". E eu na minha ingenuidade e descrença em mim mesma o questionava: "Mas, professor, ainda nem me formei, como o senhor pode me chamar de professora?". Ele, sabiamente respondia: "Todos nós somos professores em formação. Alguns, como eu, já têm o diploma. Outros, como você, é só uma questão de tempo para conseguir esse papel. Mas para além dele, você já é uma professora".

Eu era feliz apesar de todas as dificuldades, apesar de todas as privações, apesar de toda a correria, apesar de ainda não ter um diploma e uma conta bancária tão minguada como a gatinha que tinha encontrado na rua e a adotado dois anos antes.

E então aqui estou pensando na minha profissão e no quão realizada me sinto ao ver que meus alunos estão evoluindo mais do que eu evoluí quando estava no mesmo período do curso. E a culpa não foi dos meus professores. Eu só me interessei pela Educação Física após ser aprovada na seleção para bolsista de extensão do projeto Vivenciando o meio aquático, cujo responsável foi o professor Frank Nei. Aquele mesmo que sempre me chamava de professora, como se já fossemos colegas de profissão. E éramos, mas eu não tinha nenhuma noção disso ainda.

Eu não poderia estar mais feliz e realizada em outra profissão.
Hoje sou a professora mais feliz do mundo.
Obrigada, Deus, pela oportunidade de ser a professora deles... Meu maior objetivo no mundo é ser para meus alunos o que o professor Frank Nei foi e é pra mim!
Obrigada professor, por acreditar em mim, quando eu já tinha pensado mil vezes em desistir...
Cheguei até aqui também por causa de ti. Muito obrigada por ser a minha inspiração, tenha certeza que através de mim és também a inspiração dos meus alunos.



domingo, 23 de abril de 2017

aqui e ali

Então tá: olha eu aqui de novo!
nem parece que sinto falta desse espaço.
Mas sinto.


Tem dias que os dias bem que poderiam ter pelo menos umas 30 horas ao invés das frenéticas 24...
Eu realmente queria ter mais tempo para escrever sobre tudo o que passa aqui dentro.
Porém, já que o tempo de escrever é escasso, eu aproveito para ler, quando posso, é claro. Porque na maior parte do tempo estou planejando aulas, cumprindo as tarefas diárias da profissão de professor, lendo artigos e corrigindo provas e trabalhos que nunca terminam. Ser professora era mesmo tudo o que eu realmente queria, tudo que eu sempre quis. Mas tem dias que eu não vivo para poder viver a docência...
Como diria a canção que não é do Gessinger, mas é do Anitelli: "me mato pra não morrer".

Eu olho para trás, observo minha formação inicial. Eu era só uma caloura assustada achando que o único caminho a seguir seria a academia de ginástica e o ensino básico. Jamais imaginaria que eu chegaria até aqui, e ainda quero mais, quero muito mais, esse é só o início da minha carreira e embora eu já me sinta cansada, eu quero mais. 

Me pego às vezes fazendo exatamente tudo o que condenei em alguns professores da minha graduação. E eu prometi que seria o oposto deles, prometi que eu seria eu mesma, com toda essa humanidade correndo em minhas veias, com todo amor que Paulo Freire acreditava que os professores deveriam ter. Mas o conflito existe. As exigências do mundo do trabalho são imensuráveis e ainda querem por fim à nossa aposentadoria. Pra completar: me sinto feliz ao detectar novas linhas de expressão em meu rosto. Os 30 estão chegando com toda força, e as costas doem, os pés não suportam mais ficar tanto tempo em cima de sapatos de salto alto... 

A vida tem sido uma correria. Mas não tenho do que reclamar: meus pais estão vivos e com saúde, meu irmão em breve se tornará doutor, o primeiro doutor da família, e ele só tem 27 ainda...

E eu... eu sou professora universitária. Um misto de Leo, Cris e Pimenta; Zel, Bracht e Caparroz; Lino, Suraya e Freire; Marx, Gramsci e Adorno; Gessinger, Anitelli e Lispector.



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Contradição (Contra a adição)

Acordei me sentindo atropelada por um caminhão. E olha que eu nunca fui atropelada sequer por uma bicicleta...
Deve ser a idade chegando: as costas doem, as pernas falham, e o cansaço bate com força. Será que é normal estar prestes a completar 30, mas já se sentir como se tivesse 80?
Fiz o desjejum seguindo a dieta rigorosamente, já que ontem à noite, em plena terça-feira, desejei com todas as forças da minha alma comer aquele hambúrguer artesanal. Sendo que o nome artesanal não diminui consideravelmente as calorias dessa iguaria em comparação aos produzidos pelas grandes redes de fast food. Fico pensando: desejo quem tem é grávida. O que eu tenho é outra coisa: falta de vergonha na cara por me permitir comer hambúrguer assim, no meio da semana, após a hora  de trabalho. Como se comer fosse um lazer...
E então, liguei esta máquina, que já é uma extensão melhorada do meu cérebro. E entre planos de aula, artigos científicos, textos acadêmicos, organização de documentos, músicas latinas e e-mails que se multiplicam não resisti à mais uma tentação: acessei o site da livraria Cultura, o qual acompanho desde que comprei os livros referências para a minha dissertação de mestrado. Dessa vez, acessei na expectativa de encontrar algum clássico da literatura com descontos acessíveis.
Todo mundo sabe que sou apaixonada por Clarice Lispector e José Saramago. E sempre gostei também do Fernando Pessoa. Então, não poderia simplesmente deixá-los fora da minha estante. Sim, não estou só fraquejando em me manter firme na dieta, estou falhando também em economizar o máximo possível para poder viajar para todos os lugares que pretendo este ano.
Como é difícil fazer escolhas: ser magra ou ser feliz? economizar para viajar ou gastar as economias com livros? mudar ou seguir?
Não consigo me entender: aos 22 eu não sabia o que fazer da vida.
Aos 29 sei tanto o que quero da vida que quero fazer tudo de uma vez só.
Enquanto isso vou vivendo... esperando ansiosa pela chegada dos livros, ansiosa pelas viagens que se aproximam, ansiosa para desfrutar de novo da felicidade que sinto toda fez que como aquele hambúrguer artesanal =D

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

De volta (de novo!)

O ano de 2016 foi bem tenso.
Prova disso foram os somente 11 textos que escrevi para o blog.
Menos de 1 por mês...

Eu sei que isso não é desculpa para me ausentar desse espaço.
Mas é que eu estava vivendo e por mais que antes de dormir eu pensasse em meus textos, no dia seguinte sempre tinha alguma coisa para fazer e eu simplesmente deixava para escrever depois. Enfim, o depois chegou após 4 meses...

Mas li muito, pra ser mais exata, foram 26 obras literárias, que me fizeram em muitos momentos esquecer e superar as dificuldades cotidianas que nos surgem sem que percebamos.
Tem gente que pensa que eu leio por prazer ou hobby, como uma forma de me divertir.
Enganam-se.

 Leio pra suportar a vida.

O mesmo eu poderia dizer em relação à escrita.
Mas escrever exige mais de mim... Quando eu leio os textos já estão prontos. As situações estão dadas, mesmo que eu as tenha que imaginar. Mas o esforço é mínimo. Por isso, jamais me importo de passar um final de semana em casa apenas lendo ou vendo filme, porque não há esforço nenhum em ambas atividades para mim.
E por falar em filme... em 2016 vi muitos, impossível contabilizá-los. Mas teve aquele mais marcante como o da menina que se apaixonou pelo carinha que cometeu eutanásia. Eu que sempre fui a favor dessa prática, me vi em conflito, diante da morte eminente, mas romântica que sou, esperei até a última cena do filme que ele desistisse da eutanásia por amor à ela, à eles...

A vida é mesmo uma caixinha de surpresa como me disse May há mais de uma década, quando eu estava me preparando para morar fora de casa pela primeira vez... gostei tanto disso que vim parar em outro estado, na verdade, em dois estados, que não são o meu de origem.
Sou mesmo uma andarilha, não me aguento ficar em um lugar só, eu sempre acho que sou  do mundo, eu sempre acho que em qualquer lugar vou me encaixar, mesmo que no final das contas seja nos braços dos meus pais que eu me sinta realmente em casa. Deve ser porque lar é onde o nosso coroação está.
Tem muita gente que tem casa, mas são poucas pessoas que possuem um lar.
E olha pra mim: mesmo longe, tenho um lar. E por esse lar vale a pena todos os sacrifícios que vivi no ano que passou.

Não vou pedir desculpas pelas minhas divagações... demorei tanto para escrever que veio tudo de uma só vez e os textos que estavam todos organizados em minha mente, estão saltando aos montes, querendo ser concretizados de uma vez só, independentemente do que se tratem. Quando se pensa sobre o que se fez, sobre o ano que passou e sobre o que nos espera, já estamos no segundo mês no ano novo, é muita coisa pra ser abordado. Eu juro que os textos estavam organizados com temáticas bem delimitadas, não estavam essa confusão que ficou.
Mas se você não gostou, eu sinto muito.
É assim que me sinto quando penso em como foi 2016...

Entretanto, eu seria injusta se afirmasse que o ano que passou foi um desastre total, como está ficando esse texto. Meus inimigos estão no poder, mas eu acordei lida hoje e recomeço a trabalhar depois de umas férias maravilhosas. Olha que coisa linda: este mês eu completo 1 ano (meu primeiro como professora no ensino superior) de trabalho, eis que meu sonho se concretizou. E eu só tenho que agradecer por essa realização, que me trouxe as amizades de alunas a quem eu chamo de alunas-amigas-anjo do tanto que são especiais pra mim.


E, como eu não sou a reencarnação de Jesus Cristo, nem da Madre Tereza de Calcutá (graças à Deus) tenho a total convicção de que não vou salvar o mundo, e nem ambiciono agradar a todos (nem Cristo conseguiu!). Porém, fazer parte da vida delas, acompanhar o desenvolvimento e poder contribuir com o crescimento acadêmico e profissional das minhas alunas-anjos foi a melhor coisa que me aconteceu em 2016. E eu serei eternamente grata à Deus por elas.
Todo mundo que me conhece sabe que não quero ter filhos.
Meus alunos me bastam. Eles já são os filhos que eu não terei.


Finalizo afirmando que pretendo voltar a escrever como antes... Mesmo que meus textos não sejam lidos, é bom saber que eles existem. Às vezes, inclusive, contra a minha própria vontade. Se eu não fosse professora seria escritora. Mas, de onde eu vim, todo bom professor escreve. Ainda não sou boa quanto gostaria, mas meus textos estão de volta (de novo!). Pode reclamar à vontade. Esse ano eu completo 30 e eu não tô a fim de agradar à ninguém desde aquele fevereiro de 200?









quarta-feira, 30 de novembro de 2016

parte IV

Ana estava radiante: nos últimos três anos de sua vida conseguiu realizar todos os trabalhos voluntários que sempre quis. Isso fez com que ela conhecesse vários lugares de seu país e de outros recantos do planeta, sem precisar gastar muito para isso. Além, é claro, de ter tido a oportunidade de conhecer muitas pessoas de diferentes credos, etnias e concepções de mundo. Ela se sentia finalmente realizada. Deixou de acumular riquezas para acumular sorrisos e paisagens. E em meio a tudo isso, se apaixonou de novo. Finalmente a imagem daquele moço de olhos claros e sorriso largo e tudo o que viveram juntos na sua primeira viagem internacional ficou num passado remoto, que habitava apenas as profundezas do seu subconsciente. Agora, Ana tinha encontrado um cara com os mesmos propósitos de vida que ela, com as mesmas perspectivas e vibrando numa mesma sintonia. Se existisse alma gêmea eles seriam a prova concreta de que pertenciam à mesma essência espiritual. Muitas vezes atuaram juntos nos trabalhos voluntários, pensavam em adotar filhos e bichos, morar num lugar tranquilo e sereno como o olhar dela... Os planos já estavam sendo direcionados para a vida a dois, ou três, quatro, cinco, ou quantos seres vivos quisessem viver por perto, no que em breve chamariam de lar. Estavam de acordo que seria bem longe da agitação dos grandes centros urbanos e toda a loucura pela conquista do capital financeiro.

Enquanto isso, do outro lado do planeta, após três casamentos fracassados, e com os negócios arruinados, aquele moço de olhos claros e sorriso largo, já não tinha mais brilho no olhar e nem tampouco um sorriso no rosto. Triste, falido e desesperançoso com a vida, ele lembrou do quanto foi feliz ao lado de Ana, Mas, não fazia a mínima noção de onde poderia encontrá-la. O desejo de vê-la mais uma vez na vida fez com que se re energizasse. Dessa vez, não iria postergar mais essa decisão. iria ao encontro dela nem que para isso tivesse que atravessar um oceano, ou a cordilheira do Himalaia. Ele precisava reencontrá-la, como precisava de ar para respirar. Vasculhou todos os seus e-mails numa procura insana de qualquer tipo de vestígio que Ana pudesse ter deixado naquele passado que viveram juntos. Lembrou-se que ela era enfermeira e tinha sonhos de realizar trabalhos voluntários em vários lugares do mundo. Fez buscas na internet por programas que acionavam voluntários da área da saúde, mas tudo foi em vão. Ele não conseguiu nenhum tipo de informação que o levasse até ela. No final daquele dia cansativo, exaustivo e praticamente improdutivo, o moço de olhos claros e sorriso largo chegou a duas conclusões: ou sua vida continuaria sendo inútil como tivera sido nos últimos três anos, ou ele seguiria os passos de Ana, numa vã tentativa de algum dia poder encontrá-la por acaso. Resolveu seguir essa ilusão. Se cadastrou em um dos programas de voluntariado mundo afora e embora fosse um cara mais voltado aos negócios, dedicaria sua vida a tornar outras vidas melhores, já que a sua já não tinha nenhum tipo de valor para ele próprio. Sem a possibilidade de reencontrar Ana e sem qualquer perspectiva de felicidade, sem dinheiro e sem nenhum tipo de noção do que fazer, ele resolveu seguir rumo ao mundo desconhecido que o esperava.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Sobre o luto pela democracia brasileira

Sempre gostei de história. Durante toda a minha escolarização, esta foi uma das minhas disciplinas prediletas, junto com geografia, literatura e redação.
Mas, especialmente hoje, me sinto aliviada por não ser professora de História. Para não precisar explicar aos meus alunos, num futuro não muito distante sobre o que aconteceu neste 31 de agosto de 2016 em nosso país.
É sabido que sou oriunda da classe operária: minha avó, com descendência indígena, era analfabeta e lavava roupa em casa de muita gente pra poder receber uns trocados e conseguir alimentar os sete filhos, dentre eles, minha mãe, ainda garotinha. Naquela época, não existiam nenhum desses projetos sociais que surgiram no país a partir do governo Lula e que Dilma deu continuação. Nos 14 anos de governo petista muita coisa no Brasil mudou e para melhor. O resultado? Embora minha avó não estivesse mais nesse mundo para conferir de perto, de onde ela estiver, deve estar satisfeita, pois todos os seus sete filhos completou, pelo menos o ensino médio, alguns como minha mãe, já possui especialização. Dos netos, pelo menos oito deles já passaram ou estão cursando o ensino superior, Um deles (meu irmão) já está fazendo o doutorado, tenho primas que fizeram intercâmbio na Europa, através do programa Ciência sem fronteira, o qual já tem data marcada para deixar de existir.
Hoje, relembrando o texto que escrevi naquela segunda-feira, dia 18 de abril de 2016, que apesar de ensolarada, me pareceu tão obscura, o título cabe bem pra hoje: "depois de ontem" assim mesmo, com iniciais minúsculas. Depois de ontem, é hoje... e hoje a presidente Dilma Rousseff  foi impedida de continuar seu mandato. Essa mesma que recebeu um voto meu naquele 31 de outubro de 2010 e que eu só não o repeti em 2014 por causa da Luciana Genro, minha escolhida naquele momento. Lembro até que fiz um post neste espaço para externalizar meu sentimento de orgulho por ser uma das eleitoras dela aqui
No entanto, hoje Dilma Rousseff sofreu impeachment e será afastada definitivamente da presidência a partir de hoje e eu vejo pela televisão e pelas redes sociais Michel Temer assumir a presidência e penso: foi tudo em vão. O hino nacional toca, em seguida, o novo presidente assume o poder e não me sinto orgulhosa do meu país, do rumo que estamos tomando e penso em como devem estar se sentindo os professores de história, eles terão que explicar aos seus alunos que uma presidente eleita legitimamente foi impedida de continuar com seu governo e em seu lugar ficou um cara que, eu sei, era o vice dela, acabou sendo eleito também, mas que representa apenas a elite do país, não o povo em sua totalidade, ou seja, com suas minorias sociais.
Triste não apenas pelos professores de História. Triste também por todos nós. Eu por exemplo, ainda não entendo o porquê de Dilma sofrer impeachment mas continuar elegível, pra mim, tudo isso trata-se de um grande golpe. E, pra todos aquelas que achavam que a corrupção no país só existia por conta do PT, eu digo só uma coisa: o que era ruim pode sempre piorar... e piorar. E piorar mesmo. Ainda bem que vovó não está mais aqui para ver esse retrocesso.
Então penso na canção de Humberto Gessinger:
Em livros de histórias seremos a memória dos dias que virão...
Se é que eles virão.


Apesar de vocês Golpistas, a luta não parará. A luta continuará constante e contínua.
"A nossa rebeldia é o povo no poder."
Pátria livre, venceremos!!! (Cleidi Ozório)