quarta-feira, 16 de maio de 2018

De lá pra cá

Dois meses se passaram.
E a cada ida e volta do percurso Vitória -Manhuaçu submergiram tantos textos... todos ficaram aqui dentro, na minha mente... e eu tinha tanta coisa pra contar, tanta coisa pra extravasar, tanta coisa pra vomitar...(Tudo é igual quando se pensa
Em como tudo deveria ser, há tão pouca diferença e há tanta coisa a fazer), mas ficou retido, preso e condenado a me ferir todas as vezes em que antes de dormir passei horas pensando neles e ao acordar no outro dia ao invés de materializá-los o que se encontrava era apenas o check-list dos afazeres diários... os textos, que outrora se resguardavam na minha memória se transformam agora em no que preciso comprar no supermercado e na avaliação dos trabalhos acadêmicos dos meus alunos.
Sempre me orgulhei da minha ótima memória (herança do meu avô materno), porém tenho a impressão de que depois dos 30 ela tem começado a falhar. Cadê meus textos que estavam aqui ainda ontem?
Eu tinha elaborado um texto pra externar a saudade do meu irmão, comparando com a sensação que tive quando aos 17 anos tive que ir morar em outra cidade e o quanto isso acabou me matando de saudade... em 2005 meu irmão estava descobrindo as maravilhas e dissabores da adolescência e eu não estava do lado dele pra acompanhá-lo. Foi assim até 2008 quando ficamos juntos novamente, mas todo mundo acha que a gente sempre morou junto... e pensando melhor, acho que estão certos: moramos no coração um do outro, impossível estar mais junto que isso. Mas faz falta... a risada, as brincadeiras, a preocupação, o cuidado... as séries que assistimos juntos (How I Met Your Mother, Altered Carbon, Friends, Chaves, Chapolim), os desenhos (O fantástico mundo de Bob, Pica Pau, Tom e Jerry), filmes (Velozes e furiosos, Guardiões da Galáxia e aquelas comédias românticas que ele escolhia e eu adorava criticar dizendo que era clichê, mas na verdade eu me divertia) e, claro, nosso anime favorito desde a infância (Cavaleiros do zodíaco).
Faz falta também aquela amizade de quem te escreveu cartas, fez desenhos e orações, de quem te abraçava toda vez que te encontrava e que sem mais nem menos, sem apresentar nenhum motivo, se afastou, te ignorou, te anulou e sequer te cumprimenta mais, nem por educação. Como entender? Como acreditar de novo em novas amizades?
Ora, seguindo... quem suporta a saudade do irmão que está em outro estado, dos pais e do namorado que moram num outro estado, dos amigos que moram longe, então se pode suportar qualquer coisa, concorda?
E o fato de não ter sido aprovada nos concursos públicos ainda é a mostra de que  é preciso nos fortalecer, amadurecer ainda mais, endurecer se for necessário, mas jamais deixar de acreditar na possibilidade das novas amizades, das novas histórias e fotografias a serem compartilhadas e a minha turma do primeiro período de Educação Física tem sido uma dádiva nesse sentido.
Portanto, mesmo com as perdas, com as lutas e as dificuldades de suportar tudo o que acontece na vida, a gente vai resistindo, tentando manter a sanidade apesar da loucura que é este mundo.
Então a gente vai seguindo, sorrindo, torcendo por dias melhores, agradecendo pelas boas pessoas que aparecem em nosso caminho e pelas que se retiraram também. As pessoas devem ser livres para ir e vir como eu tenho feito nessa jornada. No fim das contas o itinerário Manhuaçu-Vitória que realizo desde 2016 não é tão longo assim... Profunda mesmo é a capacidade que tenho desenvolvido de seguir mesmo com e apesar de todas as adversidades... e não apenas seguir, mas seguir sorrindo, vibrando amor e paz. Agora é hora de dormir que amanhã tem dois boletos para pagar, tem prova para elaborar, tem aula pra planejar e uma sombrinha pra comprar.

quinta-feira, 15 de março de 2018

o primeiro de 2018

Está cada vez mais difícil encontrar tempo para escrever nesse espaço.

É impressionante como o cotidiano nos engole, nos absorve, nos consome, nos retorce e nos molda conforme seus próprios interesses.
Chega uma hora que a gente se dá conta de que está fazendo as coisas no modo automático: não há mais reflexão sobre o que acontece ao nosso redor... ontem o físico britânico Stephen Hawking (cuja história de vida é retratada naquele filme encantador, A teoria de tudo - e que eu ainda pretendo ler o livro) morreu deixando um legado de inteligência e superação brilhantes para a humanidade. Nesta madrugada, a vereadora carioca Marielle Franco, do PSOL, foi brutalmente assassinada, com motivos políticos intrínsecos nessa conjuntura que nos faz perceber que a ditadura militar deixou muitos vestígios até hoje (e tem gente que ainda conclama pela intervenção militar! Oh céus!). Enquanto isso, professores em São Paulo são violentados por protestarem pelos seus direitos recebendo como cortesia do governo de direita aquelas velhas pauladas da PM, a mesma que se pudesse serviria cafezinho aos juízes federais que se mobilizam hoje a favor da manutenção dos seus privilégios como o auxílio moradia mesmo que eles já tenham residências nos locais mais nobres da elite brasileira.
Mas a gente segue mesmo com todo este caos, a gente vai vivendo com pesar, continua a rotina mesmo com ânsia de vômito ao se deparar com tantas atrocidades, a gente segue apresentando enxaquecas intermináveis e dores que não cessam porque de tanto se repetirem a gente se acostuma... não somos mais autônomos. Estamos autômatos.
Então, o meu primeiro texto de 2018 para o blog não é um "#TBT" da viagem para Natal com meu amor em janeiro.
Não é uma recapitulação do mês de fevereiro pra registrar que estou amando trabalhar com as turmas do primeiro período.
Não é uma ode aos 6 livros lidos até o momento (já parti para o sétimo e quero superar minha marca de 28 por ano).
Não é uma homenagem ao meu irmão que tomou posse hoje do seu cargo público, tornando-se, aos 28 anos, professor de Educação Física da Universidade Federal do Tocantins.
Enfim, meu primeiro texto de 2018 para este espaço é um choque para mim mesma.
É uma lástima.
É um lamento.
É só isso aqui mesmo: sem foto ilustrativa, sem grandes perspectivas.
Nada mais... nada além... nada do que deveria ser..
"Nada a ver, nada a perder...
Nada a fazer, nada não".
Nada a (T)emer!

domingo, 31 de dezembro de 2017

Retrospectiva 2017

Último dia do ano.
Último domingo de 2017.
São quase 5 da tarde.
E estou pensando em tudo o que passou neste ano que termina em aproximadamente 7 horas...
Em janeiro, curti o Morro de São Paulo ao lado do meu irmão, primas, primos, tias e novas amizades. Fiz um esporte de aventura pela primeira vez na vida: tirolesa, que foi a porta de entrada para o rapel. Ainda no primeiro mês de 2017 fui com minha família para Aparecida e Campos do Jordão em São Paulo, depois fizemos um tour por Minas Gerais, onde conhecemos: São João Del Rei, Tiradentes, Mariana, Ouro Preto e a capital Belo Horizonte.
Em fevereiro fui em Ipatinga-MG para assistir ao filme Cinquenta tons mais escuros, ao lado da pessoa que me emprestou os livros dessa franquia: a minha pessoa! Depois disso teve aniversário de 2 anos do meu sobrinho, que apesar de não ser de sangue, é de alma e coração. Antes do Carnaval perdi meu celular no ônibus em um dos infindáveis trajeto que eu fiz entre Vitória-Manhuaçu e um anjo o devolveu pra mim, mostrando que eu poderia continuar acreditando na humanidade. Só estou usando o aparelho neste exato momento porque ela fez o que era correto num mundo onde quase ninguém o faria.
Passei o feriado do Carnaval com meus pais na roça e com meu Bunito em Jequié - cidade que me remete às melhores lembranças que tive na vida.
Nos meses seguintes trabalhei muito: foram 7 grupos de orientação de TCC, mais 3 disciplinas e foi uma loucura. Mesmo assim, em meio a esse turbilhão de atividades, consegui passar a semana Santa com meus pais na cidade onde nasci e pra onde eu sempre retorno porque é lá onde está o meu lar. Então, tive a oportunidade de conhecer as gêmeas da minha melhor amiga desde que me entendo por gente... segurá-las no colo com apenas um mês de nascidas foi extraordinário e emocionante pra mim...
Em Maio, eu e meu irmão realizamos a "Operação Padrinhos do Noivo" e pela primeira vez fomos padrinhos de casamento juntos e o mais incrível é que foi surpresa para a noiva. Foi muito romântico e emocionante.
Em junho fui ao show do Humberto Gessinger com um casal de amigos mineiros e maneiros. E a saudade do meu amor só fez se alimentar e aumentar... Mas em julho matamos a saudade, no início do mês, curtindo o sobrinho dele e no final do mês quando completei os tão esperados 30 na cidade de Irecê-BA, ao lado do meu Bunito! Ainda no sétimo mês do ano, fui convidada para ser a paraninfa da minha primeira turma do ensino superior e foi marcante pra mim. Marcante e emocionante também foi ter conhecido, com um mês de nascida, a filha de uma das minhas melhores amigas da época da faculdade. Neste mesmo mês, minha família Lopes teve a formatura da primeira engenheira e eu estive lá vibrando e comemorando essa conquista da minha prima, a única que tem um tamanho parecido com o meu, apesar de eu continuar sendo a menorzinha da família! Haha
No segundo semestre de 2017, já com 30 no couro, rsrs, tive mais trabalho: supervisão de estágio, mais 5 disciplinas, sendo 2 delas no Bacharelado e dessa vez ministrei aula de uma disciplina que nunca tinha ensinado antes na Licenciatura, então voltei a estudar todos os textos que vi na época da graduação e claro, tive que me atualizar... para tanto, foi providencial participar do XX Conbrace, onde reencontrei o professor que ministrou aula da disciplina que estava sendo um desafio pra mim. Que alegria encontrá-lo e trocar ideias sobre a disciplina em questão e sobre a vida como um todo. Outra coisa interessante sobre esse congresso é que fui com meu irmão e meu ex aluno que apresentou trabalho fruto do TCC que eu o ajudei a orientar. Um orgulho imensurável dele. Mais uma coisa bacana: tive a oportunidade de conhecer Goiânia e Brasília e me encantei tanto pela capital goiana quanto pela capital do meu país.
 Em Outubro passei mais uma semana na Bahia, me dividindo entre Gandu, pra ficar com meus pais e em Jequié, para ficar com meu Bunito. Foi muito legal rever amigos de longas datas, meu primeiro aluno de natação e fazer novos amigos. No final do mês eu e meu irmão fomos para o Tocantins fazer um concurso em Tocantinópolis e foi uma experiência incrível. Amei conhecer a capital do primeiro estado do Norte que tive oportunidade e assim, completei o nível:  conhecer pelo menos 1 estado de cada região do Brasil. A próxima meta é conhecer todos os estados, faltam então: PR, MS, MT, RN, PI, AM, PA, AC, RO, RR e AP.
No mês seguinte fui com minha pessoa pela primeira vez em Guarapari- ES e deu pra entender porque este é o lugar queridinho do Espírito Santo e de Minas Gerais. Neste mês eu e meu irmão voltamos a Tocantinópolis para fazer a segunda etapa do concurso e ele ficou em segundo lugar e eu em terceiro. Mas, certamente aprendemos muito mais do que imaginávamos independente da colocação que ficamos. Agora é focar nos próximos concursos.
Pra finalizar o ano, passei o Natal com minha família na Bahia, e fazendo um balanço do ano que passou fico pensando nos 27 livros que li, o 28° comecei ontem... Penso também em todas as viagens realizadas ao longo do ano, nos amigos que encontrei, nos amigos que queria encontrar mas não tive oportunidade, nos textos que fiz e os que eu queria ter feito mas não tive tempo... fico aqui pensando no tanto de desafio que surgiu neste ano que está se finalizando e que mesmo assim, foi tudo o que eu vivi ao longo de 2017 que me fez chegar até aqui.
Para este momento só há uma palavra que seja capaz de resumir o que estou sentindo agora: gratidão.








segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Escrever x Ensinar

Fui a uma palestra do professor Newton Duarte há uns dois anos quando o mesmo esteve na UFES para falar sobre a precarização do trabalho do professor. Tema bastante pertinente pra mim, que fiz a dissertação também sob este parâmetro. Recentemente, enquanto organizava meus documentos, livros e rabiscos, encontrei um registro feito à caneta esferográfica azul, com minha letra miúda e desajustada e era justamente a respeito dessa palestra. Esqueci de colocar a data, então estou refém da minha memória... acredito que tenha sido no ano de 2015 ou início de 2016...
Fiquei pensando, analisando a leitura e me recordando das palavras que o professor Newton Duarte usou naquela manhã em uma palestra que eu ficaria horas, dias...
Tem coisas que acontecem e a gente mal percebe, quase nunca se dá conta de fato, mas são essas que nos enriquecerem na nossa ínfima condição de ser humano. Lembro que o professor palestrante falou sobre um monte de coisas que eu já sabia, outras que eu nem lembrava mais que sabia e mais algumas que me despertaram para coisas que não havia pensado ainda. Uma dessas me marcou profundamente e me fez pensar e analisar o andamento da minha vida...
Me recordo do professor Newton Duarte dizendo "na sociedade capitalista você trabalha pela sobrevivência, pela necessidade de adquirir o dinheiro que garante a sua subsistência. Na sociedade comunista você trabalha pela necessidade de de fazer aquilo que você precisa para atingir a sua plenitude enquanto ser humano". Essa foi uma das falas que estavam registrada no esboço que escrevi  no dia da palestra. E então, associei com alguns trechos de um livro que li recentemente do professor Mario Sérgio Cortella (Por que fazemos o que fazemos?), em algumas passagens do livro me delonguei um pouco mais, uma delas foi: "Temos de trabalhar! podemos fazê-lo para mera obtenção da sobrevivência ou também como um modo de marcar nossa presença no mundo". Que no final das contas se assemelha muito com a frase do Newton Duarte apesar de não deixar escancarado para o leitor a questão da luta de classes.
Então fico pensando... se eu não fosse professora, o que seria? o que me faz ter necessidade de me fazer atingir a minha plenitude como ser humano? será que apenas existo ou deixo a marca da minha presença no mundo?
Sim, eu amo a minha profissão. Sim, eu deveria ganhar mais. Sim, apesar de me reconhecer no que faço e de me sentir realizada com a docência, eu trabalho para sobreviver. E... não, eu não me sinto plena vivendo nesta sociedade e o problema não é o lugar onde estou ou o que faço, mas a forma como as coisas estão estabelecidas neste sistema econômico ao qual estamos invariavelmente submetidos.
O professor Newton Duarte disse que "o trabalhador não é sujeito da sua atividade, ele é instrumento da sua atividade de trabalho. No caso do professor isso se agrava de tal forma porque a depender do nível de alienação do professor, o produto final de seu trabalho poderá ter sua qualidade comprometida, o que não acontece em outras profissões, que independente do grau de alienação do trabalhador, o produto não terá interferências em sua qualidade".
No livro Por que fazemos o que fazemos? o professor Cortella diz que "Nós fazemos o trabalho, mas em certo sentido, ele também nos faz. Isso acontece na medida em que o trabalho ajuda a moldar as nossas habilidades e competências. As atividades que realizamos contribuem para formar a nossa identidade profissional".
E refletindo sobre o que estes mestres ensinam, eu percebo que se a nossa sociedade tivesse outros propósitos que não apenas o lucro a qualquer custo, talvez então eu não fosse somente professora... talvez eu fosse também escritora... imagine só: viver das palavras e não apenas do processo pedagógico de ensinar! Quando escrevo é quando me sinto plena, sem medos de errar ou de me arrepender. Porém, a plenitude do ato de escrever não anula nem diminui a plenitude do ato de ensinar. Gosto de me sentir plena nessas duas atividades. Porque ao escrever ensino melhor e ensinando tenho melhores condições de escrever e protagonizar a minha história.

sábado, 18 de novembro de 2017

resquícios de lembranças

Se passaram 4 meses desde a última vez que publiquei um texto neste espaço.
Eu ainda estava na casa dos 20...
Estava feliz e radiante com a minha profissão, estava confiante e esperançosa quanto ao que o futuro nos traria... e ele trouxe. Veio com tudo! Ele chegou, o futuro é agora. Enquanto escrevo (digito) estas palavras, passado e futuro se imbricam, se cruzam, se alinham e me desafiam...

Sempre que me vejo diante de situações que me causam desconforto emocional venho direto para este espaço e me lembro de uma frase da Clarice Lispector que diz bem assim: "a palavra é o meu domínio sobre o mundo".
Não sei o que virá amanhã, e a próxima semana pode mudar o rumo de toda uma história, de toda a minha história. Mas enquanto eu estiver aqui, enquanto estas palavras refletirem sobre passado e futuro, enquanto eu conseguir me lembrar de tudo o que já aconteceu e do que deixou marcas e cicatrizes  infestadas sob meu (in)consciente... então tudo estará dominado por mim. Eu sou soberana diante dessas palavras, que em muitos momentos, não passam de simples devaneios entre uma pilha de livros e de temas a serem estudados e desenvolvidos devido à profissão que escolhi seguir...

Esse texto não passa de uma mera condensação de resquícios de memórias alojadas no íntimo do meu ser... São só palavras... a maioria delas não faz o menor sentido pra você, não apresenta nenhum significado e nem vai te acrescentar algo de novo ou de importante pra sua vida (sinto muito por isso, me dói um pouco saber que você leu até aqui e já te aviso que não precisa mais seguir adiante com a leitura, estou sendo sincera, você perderá seu tempo se vier aqui para entender este texto). Mas é que neste momento estas palavras são tudo o que tenho: minha vida inteira está neste emaranhado desconexo de frases e lembranças escritas e por mais que não estejam estruturadas e organizadas numa sequência lógica, já disse outrora que minha lógica não faz o menor sentido no campo da realidade. E neste ponto eu me recordo de outra frase da Clarice que diz: "não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada". E nessa in(ter)venção de verdade(s) consigo olhar para trás e para frente ao mesmo tempo em que ambas as bifurcações se encontram no agora.

É isso: esses resquícios de lembranças do que passou e do que está por vir se fundem neste exato momento... e por mais que pareça estranho lembrar de algo que nunca aconteceu, não significa que nunca acontecerá. Agora é madrugada e eu só tenho uma certeza: amanhecerá... não sei se eu estarei viva quando isso acontecer. Agora que já estou na casa dos 30, qualquer dia a mais não é somente um dia a menos, mas também uma oportunidade a mais de fazer diferente, de construir novas recordações, novas lembranças, novos textos e novas reflexões, embora aquelas palavras de outrora , venham sempre acompanhadas com as de agora.

E eu, que sou fascinada pela genialidade do Humberto Gessinger desde os 16... me vejo hoje, cada vez mais entregue à sutileza e profundidade da Clarice Lispector, esta que pensei que jamais conseguiria entender, quando li A hora da estrela pela primeira, segunda e terceira vez seguida, aos 14... Como pode alguém escrever como ela escreveu? Como pode alguém compor belíssimas canções como HG fez/faz? Enquanto eu os contemplo através de suas obras, encerro com outra frase da CL: "escrever é prolongar o tempo, é dividi-lo em partículas de segundos, dando a cada uma delas uma vida insubstituível".
O que seria da minha vida sem estes momentos de devaneios, de construção de texto sem nenhum tipo de compromisso ou responsabilidade com as normas técnicas da escrita padrão? Haveria um vazio... na verdade, pra ser sincera, ainda há, mas este vazio está sendo preenchido agora com os resquícios de lembranças que ora se perdem e ora se conectam em minha memória e dão vida à este texto. Agora sim,  posso voltar tranquila para os meus afazeres, a alma está aliviada porque este texto nasceu e em breve se tornará apenas um vestígio da lembrança do que vivi hoje.


segunda-feira, 24 de julho de 2017

O primeiro discurso como paraninfa


Eu sempre quis trabalhar no ensino superior.

Saí do interior da Bahia e fui para o Espírito Santo a fim de cursar o mestrado.

Dois meses após defender a dissertação eu estava pronta para voltar para a Bahia, foi quando surgiu a oportunidade de trabalhar na Faculdade do Futuro. 

No dia dois de fevereiro de 2016 assumi minha primeira turma do ensino superior. 

A disciplina era Práticas Pedagógicas IV, com enfoque nas abordagens de ensino da Educação Física escolar e os conteúdos do lazer na escola e eles estavam no quinto período do curso de Educação Física.

Lembro que no primeiro dia de aula me chamaram de irmã de uma das alunas da turma, porque, assim como eu, ela é baixinha, loira e dos olhos claros. Que sorte a dela se parecer comigo (ou seria o contrário?) rsrsrs

Lembro também que levei um bom tempo para aprender a falar o nome de alguns dos alunos da turma (eu achava que só tinha dificuldades com números, mas tenho dificuldades com nomes também!) rsrsrs

No segundo semestre daquele mesmo ano, além de trabalhar com as práticas pedagógicas estudamos juntos a disciplina Educação Física Inclusiva e novas experiências surgiram, dentre elas o Projeto Crianças de Ouro, elaborado pelos próprios alunos (a turma A se responsabilizou pelo projeto, mas foi lindo de ver o apoio da turma B neste processo), foi um marco para toda a turma e motivo de muito orgulho para mim. 

Depois vieram as defesas de Trabalho de Conclusão de Curso, e eu tive a oportunidade de acompanhar de perto muito do que produziram. Sei que valeu a pena todo esforço e dedicação de todos eles, trabalhando em grupo e alguns até mesmo individualmente, conseguiram superar o medo do TCC.

Agora, olhando para cada um desses rostos, percebo que em um ano eles evoluíram, amadureceram e fizeram a melhor escolha de suas vidas: escolheram a Educação Física como carreira profissional. 

Diante da conjuntura nacional e do próprio status social, optar por este curso é um ato de amor. 
Amor às pessoas, à cultura, à humanidade e a nós próprios.

Tudo o que desejo para esta turma é que seja tão realizada nessa profissão quanto eu fui sendo professora deles. 
Que tenham alunos como os alunos que eles foram e que jamais percam a fé na educação porque esse é o nosso maior legado para o mundo.

Portanto, se eu puder deixar um último conselho para a turma é que pensem em cada um de seus futuros alunos como mundos diferentes. Quando a gente é jovem a gente quer mudar o mudo, então, que a gente comece mudando o mundo dos nossos alunos: garantindo que tenham acesso às práticas corporais e à cultura corporal de movimento. Se a gente conseguir melhorar a vida de uma pessoa, se a gente conseguir mudar o mundo de dos nossos alunos, nossa missão já terá sido cumprida. 

Obrigada por terem sido a minha primeira turma do ensino superior, vocês são a concretização de um sonho para mim. Vou levar todos comigo em meu coração.

Lembrar-me-ei de cada um  com carinho e saudade.

Que Deus os abençoe.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Aluna-Anjo-Amiga


Danny é aquela aluna que todo professor gostaria de ter:
é dedicada, esforçada e foi a única que certa vez veio até mim para agradecer pela aula. Embora eu não tenha feito mais do que a minha obrigação e meu trabalho. Mas, mesmo assim, ela agradeceu.
Clarice Lispector disse no livro A Hora da estrela (meu preferido) "Ela acredita em anjos e, porque acreditava, eles existiam". Danny é a demonstração de que anjos existem. E eu, que nunca quis ser mãe, porque todo o carinho que recebia dos meus alunos supriam todas as minhas necessidades, continuo pensando que se Deus continuar colocando em meu caminho alunos que são mais que alunos, são como anjos em minha vida, aí então que vou ignorar o peso da minha idade biológica e seguir me dedicando exclusivamente ao desenvolvimento e evolução dos meus alunos.  
É um prazer enorme acompanhar o dia a dia, os conflitos, as ideias e decisões, escolhas e consequências dela... Me sinto mãe, irmã, amiga, tudo na mesma pessoa Ela é aquela aluna que faz valer a pena a profissão de professor: ela agradece pelas aulas (quando realmente são significativas), questiona sem jamais ser desrespeitosa, gruda na gente até na hora do intervalo para poder tirar dúvidas e dizer o quanto tem aprendido (eu amo esse grude, eu era exatamente assim com meus professores), marca horário no sábado de manhã para aprender a escrever trabalhos científicos (que são aprovados em congressos internacionais, e mesmo que a gente não consiga viajar até o outro lado do Atlântico, me sinto feliz e orgulhosa de tê-la como aluna) e depois marca um açaí no domingo à tarde porque ninguém é de ferro. 
Eu olho pra ela e me vejo. Eu era exatamente esse tipo de aluna: vivia grudada nos meus professores, perguntando o que eu deveria fazer para ser melhor do que fui ontem e fazia planos e trabalhos com o máximo de dedicação possível, na esperança de que eles ficassem orgulhosos de mim.
Mas tem um detalhe: ela tem consciência disso desde o início do curso. Eu só me tornei assim da metade pro fim... 
Então hoje eu penso: se eu cheguei até aqui, ela tem condições de ir ainda mais longe!!! Lembro de quando o professor Pimentel me dizia que a gente só cumpre a nossa missão quando nossos alunos estão melhores que nós. Tenho certeza que Danny vai voar alto, não por minha causa, mas pela dedicação e pelo esforço que ela tem. Eu não poderia admirá-la mais. E hoje eu sou só felicidade porque além de eu ser a professora dela ainda tenho a sua amizade. Que ela continue sendo sempre assim: esse exemplo de aluna, filha, amiga, ser humano!!! Com todo amor de professora, amiga e anjo que há em meu ♡